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quinta-feira, maio 03, 2012

OS COMÍCIOS DO PINGO DOCE OU O POPULISMO NO SEU MELHOR

 

1[8]Problematizar (trabalhando possibilidades outras) anuncia a todo o tempo perplexidades, busca continuadamente formas novas de olhar os problemas e desperta sem fim exercícios de pensamento que moldam leituras desafiadoras a naturalizações que, embaraçando a tentativa, estimulam o seu propósito. Estranhar o habitual e permitir a familiaridade do desconhecido requer uma disponibilidade treinada (aberta e diligente) na tarefa sempre árdua de divisar diferenças (presentes e ausentes) nos movimentos silenciosos das diferenciações articuladas que sossegam enrijadas no leito dos múltiplos interesses estabelecidos.

Para quem não alenta nem se fundamenta em rebanhos de espécie duvidosa, as demonstrações populares de desmedido espavento são sempre vistas com o olhar crítico da tolerância exigente. As evidências da numerosidade arrastam consigo (vezes sem conta) a possibilidade de achacados populismos que se corporizam nas imperfeições civilizacionais, quando não nas penúrias de toda a ordem, nas desesperanças da vida ou em crises presentes de futuros adiados. Se alguns políticos (ou políticas) exploram tais particularidades, os mercados possuem delas um saber feito pelas agulhas e linhas com que se cosem.

Assim pensando, diria que a soberania de um qualquer populismo (político ou mercantil), numa sociedade tutelada por culturas de propaganda, nutre-se da exaltação de consumismos diversos com a cumplicidade sempre pronta e enérgica dos enredos mediáticos habilmente dóceis e (sobretudo) artificiosamente criativos. O irresistível anunciado, a necessidade fabricada, o desassossego excitado, tornam voluntário um gesto que (na sombra) embala o humano que nele se deixa adormecer. A necessidade desobriga-se assim da liberdade e da dignidade e amamenta o “kitsch” ardiloso que se alastra transversalmente por campos dispersos, todos eles submetidos (hoje, mais do que nunca) à lógica mercantil que nos incompleta.

A campanha do Pingo Doce, vale o que vale mas vale, no essencial, por que se entranha num espécime de populismo universalizado que, por muitas cambalhotas argumentativas que se deem, não deixa de constituir apenas mais uma forma (manhosa e, talvez por isso, rentável) de desumanização e, já agora, de revivalismo ideológico. O populismo sempre se revelou como meio expedito e despudorado de conservação ou de conquistas de poder(es). Neste particular, qualquer pessoa de bom senso não pode deixar de reconhecer que o Pingo Doce não se quis prestar à virtude da generosidade ou de uma outra qualquer grandeza humana ou social. O Pingo Doce foi apenas e simplesmente oportunista. Fez marketing, fez negócio e não deixou de fazer política. O 1º de Maio era a data conveniente para a convergência de tantos fazeres sem causa moral alguma. O populismo no seu melhor.

Imagem retirada DAQUI

quinta-feira, abril 26, 2012

A NEUROSE DA (IR)RESPONSABILIDADE

 

Miguel-Velasco-NeurosisA convocação constante e pomposa do sentido de responsabilidade merece-me uma incessante vigilância crítica que, com o amealhar dos anos e a senescência por longe (felizmente), se desenvolveu ao extremo da teimosia e não, é pena, no seu refinamento apetecível. No entanto, confesso que saber de onde irrompe esse deslizante apelo, desde logo, desperta em mim o interesse (adormecido e preguiçado pela impreparação) de compreender o fenómeno. Saber quem é o responsável, aplicado e generoso, motivado pelo meu comportamento ou desempenho responsável faz-me (talvez) mais esperto e, sobretudo, por que dependente da minha vontade, obstinadamente diligente nesse intento solitário de espiagem.

Saber se esse responsável é um mero serviçal de um osco poder ou vive em concubinagem com uma qualquer estranha moral, não é obviamente um saber despiciendo. Neste particular, a experiência sovada pouco me ensinou pois a vida (por si) nada ensina. No entanto, à força de tanta sovadura eu tive que aprender com ela e não aguardar que ela se prestasse a ensinar-me alguma coisa. Deste modo, aprendi a aprender (passe o modismo), fazendo das tareias o conteúdo necessário deste meu saber vivencial. Aprendi que me tornava (aos meus próprios olhos), ao anuir a esses poderes embuçados e ao acatar os desvarios dos dispersos concubinários, um responsável lerdaço e inútil, desconfortado em crescendo com as lisonjas de todos aqueles outros.

Há responsabilidades que se acolhem por que se celebram comprometimentos e dependências, supostamente no exercício de uma liberdade essencial e de uma consciência sentida como plena. Responsabilidade e liberdade fazem-se (assim) relação de inteligibilidade potenciadora de valor nesta fatal disputa de ajuizar condutas e audácias. Atente-se (porém) que liberdade essencial não significa, por uma qualquer vontade conveniente, fácil repudiação ou remoção de embaraços, como também não se mostra em meras espontaneidades de quereres que se bastam a si próprios. Igualmente ainda, em abono da provocação, diga-se que a liberdade de que falo como essencial não é essa liberdade dirigida que por aí perambula e que gentil e generosamente oferece escolhas não-determinadas por quem as elege.

Liberdade essencial significa estar livre para a acareação consigo (fundamentalmente), com o mundo (desejavelmente) e com as suas múltiplas e diversas exigências (necessariamente), reconhecendo em si (como sujeito individual ou coletivo) os poderes de constituir e de destinar e (assim) inventar as soluções necessárias aos desafios, próprios e dos outros, que o enredo da vida vai inevitavelmente entrelaçando. A responsabilização (como ato que se sucede no tempo) apela a um sentido de responsabilidade que, pela sua natureza educável e pela sua função de orientação e de rumo, apresenta como referente e essência o sentido forte, influente e decisivo do que é humano e se presta à humanidade. A responsabilidade de avançar nesta aventura nossa, que é de todos, dispensa disfunções que esvaziam essa referência e a sua essencialidade.

IMAGEM RETIRADA DAQUI

terça-feira, abril 24, 2012

A POBREZA ENVERGONHADA

 

feminis_lang_migr_mothr_lg[1]A vergonha anuncia-se nos temores da desonra, nas incertezas do ridículo, na apercepção do comportamento inconveniente, na sensação da perda da dignidade, na consciência da humilhação ou na convicção do aviltamento. Na pluralidade de interpretações, uma qualquer nota da pobreza refreada inspira (assim) a prova da significação que cuide do sentido que a vergonha cala.

O que reprime afinal o encobrimento da vergonha? O que tem em mente aquele que faz do fingimento necessidade? Que racionalidade íntima funda essa escolha que à experiência sofrida junta a sequidão do isolamento? O que nos clama aquele (fingido) silêncio impassível na sua forte presença e viva coexistência? Que acessibilidades descobrimos para nos escoltar e levar à crível compreensão desse grito que mima suplicando calado?

Tematizar a vergonha que na pobreza radica, torna-se (no desenho destas interrogações) uma sondagem muito singular e delicada mas irremediavelmente condenada à inquietação da imperfeição do que é inconcluso. A obscureza da sua razão (no entanto, fundante e orientadora) coloca, como condição ao seu entendimento, o conhecimento das totalidades e das circunstâncias em que o humano se inscreve e nas quais ele se determina.

Assim sendo, a razão que aqui se submete ao entendimento não decorre do domínio da lógica mas sim (e sobretudo) do contexto vivencial no qual ela – essa razão – se plasma e alcança sentido. A dignidade, sendo um valor que a linguagem (por insuficiência) não permite esclarecer em absoluto, traz consigo uma pessoalidade que a devolve irredutível aos seus exercícios de compreensão. A pobreza não é, no essencial, o que se vê e está próximo. Está em outro lugar, alguns bem distantes, naturalmente escondido na transcendência do indizível que a cada um pertence.

domingo, abril 22, 2012

O DESTINO DO FUTURO

 

71233632_c14e63ba5aA resignação, tida paciência tola de conformação, maça-me em absoluto. Confesso o cansaço dessa absurda licenciosidade retesada no regaço insensível de um qualquer destino aceite, supostamente reservado. Parece-me (ante ela) escutar uma espécie triste de fado sem voz nem passado, desapaixonado pelo presente e descrente no futuro. Enclausurada assim (nessa infausta musicalidade) ouve-se a imaginação do porvir ao longe e percebe-se uma eventualidade muito remota. Uma lonjura lânguida produzida de desesperanças que atrai, pela fadiga,  o hábito das saudades ociosas sem materialidade nem historicidade. A circunstância deste modo desenraizada, no vazio de horizontes dissipados no infinito, desperta (pois sim) peregrinações sem destino, santos e lugares. Liquefaz-se o tempo (que se vive) nesse outro tempo futuro afigurado longínquo e que se teima em não o encurtar para o poder viver … já. O futuro que, afinal, já ontem devia ter começado.

segunda-feira, abril 09, 2012

UM DESABAFO

 

(8 de Abril de 2012)

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A possibilidade de nos confrontarmos com desconcertos de significação nas nossas vidas é naturalmente elevada. Para uns ainda bem, para outros nem por isso. Os primeiros encontram nela oportunidades, os segundos ameaças e inseguranças. Para estes, essas dissonâncias revelam-se estranhas, por vezes enigmáticas quando não hostis. A urgência de defesa convoca de imediato o enquistamento de posições. A abertura dá lugar ao autismo e este ao divórcio com a realidade e com a reflexividade que nela nos faz situar. A irritação germina então no vazio criado e os diabos à volta florescem (como por bruxaria) neste caldo emocional. A vida sobrevive assim por meio de uma repetição de imagens iguais que se desdobram sem fim. Em nome de uma liberdade celebrada dela arrepiamos caminho incapazes de nos reinventarmos. Insensatamente.

 

Imagem retirada DAQUI

sábado, abril 07, 2012

O DÉBIL SILÊNCIO DOS POBRES

 

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O pobre quando grita a sua pobreza pode continuar pobre. Quando a silencia torna-se contudo mais pobre e mais só. Acrescenta à sua pobreza a penúria das imagens e o ermo das emoções. Às asperezas que o fizeram mescla um outro e novo espaço de desigualdades, mais duras e intangíveis.

quinta-feira, abril 05, 2012

QUANDO A IMAGINAÇÃO DO SUBTERFÚGIO AFROUXA

 

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Os sentimentos realizam em nós múltiplas e insondáveis funcionalidades. Orientam olhares e incitam-nos (sobretudo) a relações preferenciais com os outros e com o mundo. Reclamam racionalidades que autorizam sentidos que dão ordem à vital necessidade do nosso conchego. Desvia-se (pois) o que se move em sentido inverso, voltando (por vezes) a afastar o que já se arredou vezes sem conta. A imaginação do subterfúgio cansada torna-se frouxa. A realidade aproveita e regressa mais corajosa e, para nosso revés, ainda mais teimosa. Aí, acordamos. Não de um sono mas de um sonho distorcido pela nossa pequenez. Afinal, o que parecia ser e gostaríamos persistentemente que fosse, em definitivo não é. Recomece-se…

sábado, fevereiro 18, 2012

A VELHA MAS EFICIENTE INVERSÃO DO SER E DO PARECER

 

430291_370373286324552_100000556514411_1322837_1267514414_nOnde estavam antes do 25 de Abril o Mello, o Champalimaud, o Espírito Santo e outros mais ou menos "nobres zalazaristas"? No conforto da banca e do capital industrial ...

Onde estão eles hoje? De regresso, bem vivos, arrogantes e em força ...

Onde está, no meio de tudo isto, o 25 de Abril? No que se transformou ele? Numa triste paródia democrática ...

Onde estão os políticos autores desta penosa paródia? No lascivo convívio desses, hoje, "nobres democratas" ...

terça-feira, fevereiro 14, 2012

E SE ENTUPÍSSEMOS A “VÁLVULA”?

 

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Os números falam por si... Não é assim, com esta frieza, que os tecnocratas desta democracia apodrecida representam as realidades que lhes interessam? A luta ideológica, hoje, passa por avivar nas pessoas as suas frustrações e fazer-lhes reviver os recalcamentos sucessivos a que têm estado submetidos por um poder económico obscenamente difuso. O protesto instituído tem cumprido com a sua função de conter a energia da revolta. Por isso, importa libertar essa energia abrindo outras e novas possibilidades de ação capazes de gerar verdadeiras e adequadas mudanças. Ajudemos a reinventar novos mecanismos de regulação social. Pela força, se necessário ...

terça-feira, janeiro 24, 2012

UMA MERA CENA PORNOGRÁFICA

 

395849_350158111679403_100000556514411_1273140_911026942_aImporta alvitrar que a pornografia não se circunscreve ao universo da imprecação aos males atribuídos à sexualidade. O que marca a pornografia é a relação desigual entre poderes e dignidades que conflituam. Quando alguém não existe ou apenas existe para cumprir um papel de objeto de satisfação de pulsões agressivas de um outro, estamos provavelmente na presença de uma realidade (ou cena) pornográfica.

Quantas vezes nos perturbam, e nos fazem sentir profundamente incomodados, com o comércio abjeto do sofrimento dos outros e das suas desgraças e com outras tantas situações aparentemente banalizadas por um quotidiano denso de indignidades silenciosas e, sobretudo, silenciadas?

A tirada infeliz de Cavaco Silva é reveladora de um destes silêncios que se quebrou e se quebrou de modo infausto fazendo ele um uso pornográfico da sua situação pessoal num quadro de crise no qual ele não encaixa. Cavaco Silva, ele próprio, se desrespeitou. Embora lamente, confesso que não fiquei absolutamente nada surpreendido.

ANÍBAL retirado DAQUI

A CARREIRA DO MEDINA

 

407046_350233938338487_100000556514411_1273518_1579138463_aUma declaração, não de interesses, mas de intuição; não gosto deste senhor CARREIRA. Olho para ele, e aquele seu permanente e irritante ruminar, de imediato, me leva à perceção que em mim esboça a ideia de uma misteriosa e enigmática insatisfação pulsional que o seu narcisismo primário, apressado e desenvolvido, imperiosamente o empurra para uma arregimentação muito singular de recursos de modo a evitar a sua suposta (embora visível e desconfortável) castração política.

Serei naturalmente precipitado mas, nesse homem mediático (que pode ou não coincidir com ele próprio), apenas consigo estar atento ao desafio, para ele muito particular e doloroso, de uma economia psíquica necessária à procura e à gestão de sucedâneos argumentativos que lhe alimentem a ilusão da ausência de um perdido paraíso que o seu narcisismo envernizado mas envenenado não aguenta. A sua sobranceria apenas me consegue conduzir aos polímeros sintéticos cotiados na produção contemporânea de artefactos de silicone comunicativa …

sábado, janeiro 07, 2012

Este ASCO, que se dá pelo nome de CAMxLO, não pode com o …. MÁRIO NOGUEIRA

 

O que diz o CAMxLO? Que Mário Nogueira tem 31 anos de carreira e que apenas onze deles passou-os a ensinar. O resto foi dedicado a esse extraordinário sindicato (ou será "think tank"?) da Educação que dá pelo nome de Fenprof. Claro que o ódio sindical desse TRAPACEIRO CEGO E SURDO não descobre mais ninguém, na política ou mesmo nesse antro de chulos que o perpetua e o protege, que há muito deveria ter dado o lugar a outros. Ele vomita a sua aversão inveterada e absoluta ao sindicalismo procurando desqualificar alguém que se apresenta a votos e é eleito por milhares de professores. Desta avaliação democrática ele não se interessa. Trata, então, o Secretário-Geral da FENPROF de dinossauro mas daí não tira as conclusões que devia com objectividade em matéria de avaliação da pessoa e do sindicalista. Atira-se, então, à lei que ele considera obsoleta, responsabilizando-a por promover o sindicalismo a um modo de vida. Mas os proxenetas que o têm por conta, esses podem vir de tempos jurássicos que são gente boa e os modos de existência que requerem são próprios e decorosos. Obviamente, onde o CAMxLO serve, a estupidez e o facciosismo constituem os critérios essencias de avaliação. Por isso, o CAMxLO é EXCELENTE.

quarta-feira, setembro 14, 2011

A MALQUERENÇA REPULSIVA MAS RECONFORTANTE DO ÚTERO FAMILIAR

 

Rejeita-se o mundo tal como existe mas é através dele que afirmamos a nossa particular singularidade. Nele se enraízam as nossas revoltas e as nossas fúrias. É tudo quanto basta. Mais, seria exigir atos de coragem que desafiariam desconsolos maiores do que aqueles que vivenciamos supostamente entristecidos. Os valores que afirmamos alicerçam o protesto mas apresentam-se com uma vontade decidida em nada mudar, pese embora o sentido enunciado do futuro que inventamos e, sobretudo, exibimos desejar. Justifica-se assim, com acerbo, o protesto mas desajeitadamente se disfarça a nossa cobardice jesuíta de não sermos o que realmente somos e, acima de tudo, o que silenciosa e avidamente invejamos mas não temos a firmeza de carácter de deixar, sequer, transparecer.

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A revolta é a nossa sobrevivência; a sobrevivência dos fracos e dos fingidos. Tudo se faz, nada fazendo, mantendo intactas as razões e a legitimidade dos protestos. Mudar é que não. A revolta precisa de uma ordem que justifique as indisciplinas que a alimentam mas fundamentalmente não faça desaparecer a razão de ser e de permanecer das insubordinações social e culturalmente acatáveis. Sobre nós contamos grandes histórias, evadimo-nos em encenações romanescas entusiasmantes mas descuidamos de medir os desfasamentos dessas narrativas com a vida vivida e, sobretudo, sentidamente experienciada. Esconde-se a identidade biográfica sob o tapete da narrativa fantasiosa que se serve da mentira traiçoeira para ganhar credibilidade e transparência. O estabelecido é uma espécie de útero familiar do qual nos queremos libertar mas que o conforto doentio da cómoda vinculação nos traz uma irresponsabilidade pessoal e histórica que o futuro não deixará de lavrar em inscrições facilmente imagináveis …

sábado, julho 09, 2011

MÚSICA PARA TOLOS

 

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Uma semana sem televisão, rádio e jornais consentiu-me livrar de retóricas atreitas a enjoos e regurgitadas por aquela intrusiva gentalha liberalona e aproada que, na sua soberba certa, não poupa os tunantes - que nada ou pouco têm – dos seus gastos nímios e ociosos e, por isso, particularmente responsáveis pelos desmandos desta pobre tribo lusitana, à qual a troika generosa e pacientemente concede o socorro inadiável.

Cheguei e mal liguei a TV, o pasmo aconteceu. Os elogios peganhentos às notações de abril/maio, por um qualquer milagre insondável, tinham virado levantamentos insultantes aos deuses que neste mês de julho, pelos vistos, avistaram os pecados obstinados e estorvadores de sempre, os de hoje tal como os do meses passados. A punição deve, em vista disso, ser severa; o coração do sistema não pode deixar de bater ao seu desejável ritmo e, por que não, por si apetecível. Por isso …

Mas, para sossego de muitos, nem tudo é arritmia. Afinal, os panegíricos de ontem deram votos a 5 de junho e as sedições de hoje, que tanto encolerizam tal gentalha, provam neste mês de julho e nestas circunstâncias de surpresa dolorosa, a inocência dos recentes ganhadores na inevitabilidade das medidas tomadas e, sobretudo, a tomar no futuro … com a suposta alegação da crueldade imposta pelas obscuras notações do presente.

A culpa precisa, neste enredo de engodos, de se serpentear e ziguezaguear para que os infames continuem a chupar o sangue “tóxico” das suas vítimas estonteadas por tamanha luminosidade e transparência éticas. Bem-hajas, coração tão magnânimo …

Uma argumentação que vem mesmo a propósito; OUÇA

domingo, junho 19, 2011

A BONDADE DE UM TROPO ÚTIL

 

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O exibicionismo tem muitas variantes mas apenas a de natureza sexual é vista como patológica e, como tal, considerada uma perversão. O critério essencial consiste, sabe-se, na imposição de exibição ao outro que não o aceita ou, ainda, a um qualquer outro que não se encontre reconhecidamente capacitado para esse acareamento.

Não será tempo de alargar o conceito a outras manifestações humanas, designadamente de carácter político e ideológico com o propósito de tornar este mundo bem mais saudável?

Imagem colhida AQUI

quarta-feira, junho 15, 2011

A ESTÚPIDA ARROGÂNCIA DA CHANTAGEM MORALISTA DEMOCRÁTICO-LIBERAL

 

Blogue

Ao desfolhar o “Le Monde Diplomatique” (edição portuguesa – Junho 2011) pude ler, logo na 1ª página, num artigo de Serge Halimi intitulado “Argumentos Loucos”, o seguinte parágrafo que, convosco, partilho.

NOTA - A imagem que acompanha este post foi desviada do blogue CONVICTOS OU ALIENADOS

Quando a justiça nova-iorquina recusou dar um tratamento de favor ao director geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), acusado de violação num hotel de luxo de Manhattan, um comentador que alinha pelo diapasão da casta dirigente francesa, política e mediática, ficou chocado com a “violência de uma justiça igualitária” … Acrescentou o seguinte, quase mecanicamente: “A única coisa de que se tem a certeza é que os sentimentos anti-elite alimentados por este escândalo vão aumentar as possibilidades da Frente Nacional de Marine Le Pen nas próximas eleições”.

O meu comentário está feito; expressei-o no título do post

quinta-feira, junho 09, 2011

DESCULPEM LÁ, A CATURRICE SADIA DE SER ESQUERDA

 

Esboco

NOTA: Texto que dedico aos auto-intitulados democratas que o são apenas porque a circunstância histórica os faz viver numa democracia para a qual em nada contribuíram. Aos democratas de direita, em especial aos meus amigos, que muito respeito, peço-lhes a compreensão e a tolerância para este firme mas necessário desabafo.

A Esquerda perdeu as eleições. E quando digo Esquerda, quero-me referir a todos quanto, colectiva ou individualmente, sabem que a luta é e será permanente porque a história não se fixa por quaisquer resultados eleitorais como alguns revivalistas ressabiados de direita ou mesmo alguns nostálgicos e dissimulados salazaristas, que hoje e agora, com a arrogância néscia que os define, nos querem euforicamente fazer crer.

A Esquerda a que pertenço por ideologia, convicção e consciência não se mobiliza para pequenas batalhas de vitórias transitórias. Apesar disso, essa Esquerda tem a noção clara da importância daquelas e sobretudo aprendeu com a luta e com as dificuldades a resistir perante as derrotas, como esta de 5 de Junho, consciente das condições combinadas, complexas e profundamente desiguais de um sistema globalmente perverso que, no momento histórico atual, tornou claramente refém o poder político democrático de outros poderes que, atrás daqueles, o amanham à feição sem que para tal se tenham de submeter a votos.

A Esquerda que me tem vindo a fazer um cidadão coerente e solidário, no pensamento e na ação, confirma e valoriza a importância da democracia representativa mas reconhece, com igual vigor e seriedade, as suas limitações. Por isso, trata-se de uma Esquerda que não pode deixar de apoiar e enaltecer o empenhamento, a luta e a dinâmica organizadas no sentido de desafiar, conscientemente, o aprofundamento dessa mesma democracia, convicto da possibilidade do seu necessário e constante desenvolvimento a favor da dignidade das pessoas sustentada, como é óbvio, numa maior e mais empenhada equidade social. As eleições foram, no tempo e no espaço, apenas um momento de uma ação no âmbito de uma luta política mais vasta que urge continuar e aprofundar …

Imagem retirada DAQUI

quarta-feira, junho 08, 2011

OS INTELECTUAIS - SILÊNCIO IMPOSTO OU PROSTITUIÇÃO DE LUXO?

 

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Imagem retirada do BLOG AS LEITURAS DO CORVO

 

CORPO ADENTRO de Bernardo Coelho

A primeira grande investigação sobre a prostituição de luxo em Portugal.

Corpo Adentro é um olhar que desvenda o denso e oculto quotidiano destas mulheres, prostitutas e acompanhantes. Uma intensa e rigorosa pesquisa que permite compreender como as acompanhantes dão corpo a uma identidade sexualizada.

 

A analogia não é, de todo, despropositada …

Os tempos de hoje exibem, aos olhos de qualquer moral de reputação merecida, para além de um desprezo indecoroso pelo FUTURO, perplexidades inaceitáveis feitas de múltiplas iniquidades ofensivas ao respeito pelas pessoas e insuportáveis nos planos das exigências mais elementares de justiça social. Embora submersa em bens materiais de toda a casta, a sociedade no seu conjunto oferece-nos, com efeito, uma triste e inquietante QUALIDADE tendo presente os valores da DIGNIDADE HUMANA e da JUSTIÇA SOCIAL que, pela sua centralidade, determinam e autorizam o julgamento de mal-estar e apoquentação.

 

domingo, junho 05, 2011

SÓCRATES, DESPEDE-SE DE 1º MINISTRO A CAMINHO DAS PRÓXIMAS PRESIDENCIAIS

 

Como podem imaginar, não sou Sócrates, nunca fui, não serei no futuro certamente mas, não sei se terei de engolir, um dia, este “batráquio”, por sinal, de modo nenhum anuro. Habilidoso como neste discurso de despedida, registo, o derrotado 1º Ministro se afasta daquela insolência de estilo que levou, associado a políticas claramente por muitos rejeitadas, uma parte do eleitorado a “correr com ele” e, com um tiro que mata dois coelhos, mostrou a Cavaco a inteligência de um homem não ressentido que tem o arcaboiço impudico de passar a mão, embora enjoadiço, pelo … pêlo, de todos os portugueses.

 

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Os candidatos que, de braços dados, vão conflituar nas próximas presidenciais

Ao contrário, o lepidóptero Capoulas, em momento de acefalia provavelmente transitória, penso eu, responsabiliza a “estrema-esquerda” do revés indigesto do seu grupelho larvícola. As contradições do costume …