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quarta-feira, maio 29, 2013

A COADOÇÃO – UM EMBARAÇO QUE DISPENSA BANDEIRAS

imagem-gaysMarinho Pinto é reconhecido por quase todos – gostem ou não dele – como uma pessoa de uma exorbitância original que, a todo o momento, exibe uma inusitada personalidade, rica de atributos, que dele fazem, mais do que um incisivo e controverso opinante, um homem público incomum. Enérgico e determinado, de cáustico gracejo crítico por vezes, Marinho Pinto facilmente se torna admirável para os apreciadores e, com compreensível presteza, intolerável para os opositores. Agrada-me, confesso, a faceta politicamente incorreta com que irreverencia amiúde, com refinado saber e inteligência argumentativa, os múltiplos poderes instalados, sejam eles sagrados, institucionais, simplesmente mediáticos ou resultantes de duvidosas revoadas circunstanciais. Independentemente da minha pessoal concordância ou divergência relativamente às suas respeitáveis e fundamentadas posições, perfilo-me no grupo dos seus simpatizantes, tendo por apreço a constante e intrépida liberdade com que se manifesta.

Apesar desta declaração de empatia, vamos todavia ao que me traz. Marinho Pinto considera – e reitera-o com um arrebatamento obstinado – um desrespeito e sobretudo uma atormentação para as crianças, a possibilidade de os homossexuais poderem vir a coadotar os filhos adotivos ou biológicos da pessoa com quem estão casados ou com quem vivem em união de facto. A sua crítica essencial assenta no facto da concretização dessa eventualidade retirar às crianças o direito de poderem formar a sua identidade num quadro familiar biológico ou adotivo em que existam sólidos referentes masculinos e femininos, condições que, na sua opinião, se mostram indispensáveis ao desenvolvimento harmonioso da(s) sua(s) personalidade(s). Acrescenta, além disso, num lógico reforço da opinião atrás assumida, que ninguém tem o direito de adotar mas, pelo contrário, as crianças é que têm direito a uma família onde possam desenvolver harmoniosamente a sua personalidade[1]. Não sendo eu um homem nem da ciência, nem do direito, atrevo-me no entanto a manifestar desde já a minha divergência, designadamente ao ter presente o engenhoso sentido convocado por Marinho Pinto através de uma hábil enunciação argumentativa.

Principiando pela pretendida contenda dos direitos, importa acareá-los na sua substância e submetê-los ao clássico problema dos universais. Ordena a evidência que o direito dos adotantes não precede o direito da criança e prescreve o bom senso que tão pouco pode aquele, em momento algum, significar uma qualquer prerrogativa ao sabor de súbitas e infundadas vontades ou de vulgares aferros caprichosos. O direito de adotar consubstancia-se, como é óbvio, em valores de humanidade e de probidade e, nessa medida, o seu juízo exige a observância rigorosa daqueles, tendo em vista o exercício cabal de uma responsabilidade que se nutre na obrigação de facultar à criança uma família que ela não tem, de modo a proporcionar-lhe um desenvolvimento tão completo e integral quanto possível. O direito da criança a uma família garante-se assim no exigente exercício dessa responsabilidade, convertida num dever, que a todos compromete no total respeito pelas premissas atrás enunciadas. Nesta perspetiva, o direito de adotar não é, do meu ponto de vista, mais do que o assentimento socialmente legitimado para que, com liberdade, afeto e saber, alguém possa cumprir esse dever universal e imperativo de responsabilidade parental.

Se esta controvérsia sobre os direitos me parece de colocação entendível e provavelmente aceitável, a problemática da existência de sólidos referentes masculinos e femininos, na sua relação com a configuração familiar concreta, apresenta já dificuldades maiores, múltiplas e de natureza bem diversa, se levarmos em linha de conta o quadro determinado pelas atuais e intensas mudanças nos planos dos valores, dos comportamentos e das identidades. Se se atender tão só às modificações contemporâneas nas condições de procriação, nas mudanças das formas de filiação e de criação dos filhos, percebe-se que estas transformações – inscrevendo-se em outras mais estruturantes de natureza social, política e económica – têm naturalmente conduzido a reposicionamentos sociais e a redefinição de papéis com reflexos expressivos nas relações homem/mulher. O cenário social é cada vez mais diverso e compósito e a ordem dita tradicional sente-se seriamente ameaçada na vulnerabilidade dos seus costumes e na impermanência normativa da sua moral, designadamente na forma como se olha e vive hoje em dia a sexualidade, as suas relações e práticas.

Ora, estas mudanças carregam naturais consequências, geram itinerários distintos de subjectivação e desafiam aclimatações simbólicas certamente renovadas. Refira-se que alguns homens ajuizados da ciência médica e da psicanálise situam neste quadro crítico aquilo a que chamam de “crise da masculinidade”, entendida aqui como enfraquecimento do poder paterno, e acolhida enquanto reflexo de uma crise mais profunda, a crise da atribuição fálica como organizador social. Não ousando invadir matérias para as quais não estou nada preparado, julgo no entanto não ser imprudente sugestionar que estas pressupostas ocorrências nos lançam e convocam para o mundo evolutivo do simbólico, da sua linguagem e e das suas representações. A imutabilidade de uma qualquer ordem simbólica subentenderia, no plano lógico, uma forma exclusiva e ideada de subjetivação com o poder de decidir sobre o normal e o patológico. Nesta linha de pensamento, ao tomarmos a família tradicional como referência única de normalidade, um qualquer outro modo de filiação introduziria então transtornos aos adotados que a realidade já estudada no domínio da homopaternidade vai (com clareza) desdizendo. E, parafraseando Ceccarelli, eu lembraria a Marinho Pinto que as famílias são sempre construídas, os filhos sempre adotivos e que desgraçadamente as prisões (de capturas diferentes) estão apinhadas de filhos criados por casais heterossexuais.

 


[1] http://www.dnoticias.pt/actualidade/pais/387054-marinho-pinto-diz-que-co-adopcao-desrespeita-e-maltrata-as-criancas

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quarta-feira, janeiro 16, 2013

A PERMANÊNCIA DA MILITÂNCIA INSURGENTE

corrente-criticaA aposentação é uma fase da vida que sucede a muitas outras, umas por de mais inquietas, outras (in)utilmente seguras e outras ainda (talvez, poucas) de remanso aconchegado. Com a reforma apressa-se uma outra casta de desassossegos (e, sobretudo de ruturas) que suscita, na vida de cada um, inopináveis intimidações e/ou instigações, na contraditória presença de uma vida que se ausenta e de uma outra que, embora ainda ausente, se presta (por cumplicidade) ao diálogo da reinvenção. Apesar de alguns ganhos esperados, as perdas existem e o espectro da desagregação persiste em atrair (na sua peculiar crueldade) depreciações que envelhecem. Posto isto, interpelar (com convicção) o círculo e a materialidade do que (realmente) pode fazer sentido torna-se um eficaz antídoto para, com vantagem, alcançar um atraente porvir pese embora o que se abandona do tempo vencido.

Enquanto o corpo e a mente – solidários – permitem aspirar desses proveitos, há que cuidar desse bem, aliás cada vez mais escasso, destinando desígnios ao tempo incerto que o compõe. Confesso, que uma das atividades por mim adotada, por arreigada oposição ao politicamente conveniente, está no empenhamento aperfeiçoado da insurgência como prática libertadora de capturas múltiplas cevadas nesta (e por esta) paradoxal democracia. Nela, cria-se e faz-se prosperar uma cultura surreal (política e cultural) celebrando-se liberdades que, com descaro, se abastardam na densidade (própria e estranha) de tuteladas obediências que se impõem num angustiante crescendo. Dar forma à razão genuína, sentida e vivida como verdade, torna-se (assim) num experimento de recomeçados questionamentos e de infindáveis afinidades de reação e resistência.

Aqui, ali ou em todo o lado, não se pode dizer tudo, não se pode falar de tudo e muitos não podem sequer falar. O tabu, a ritualização e o privilégio dos que decretam e podem, aclaram assim os limites do dizível assinalando as sombras da inclusão (ou os territórios da exclusão) onde as singularidades se silenciam e os medos se escondem. O politicamente conveniente não é, nem poderia ser, um lugar rumoroso. Ele nada anuncia e a discrição é o seu poderoso disfarce. Habita (por isso), na excelência do silêncio, os lugarejos onde se engenha o domínio e a acomodação das verdades e dos saberes úteis. Verdades e saberes que obedecem a vontades de poderes combinados, embora nem sempre amigáveis, que dão forma e traçam os roteiros, beatos e amáveis, donde irrompe o dizível. A insurgência tem uma outra vontade, provavelmente avessa, não desconhecendo que os poderes renascem sempre e que sempre reagem onde a liberdade espreita. Assim sendo, a militância da insurgência regressa, igualmente sempre, ao prólogo de um texto que o legitima acreditando que o texto que sucede seja distinto, naturalmente para melhor…

Publicado na revista ESCOLAinformação (SPGL), de janeiro de 2013

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segunda-feira, agosto 13, 2012

CUIDAR A LIBERDADE SEM TEMOR…

 

POEMA-DA-LIBERDADENão há química que amigue de modo prolongado a liberdade e o poder. A paz entre ambos perdura o tempo de descanso necessário, o bastante para a relação se perder nos perigos que consente. Em conformidade, ao olhar supino do poder reage de pronto a resistência com o seu jeito hábil e insolente. As relações de poder jamais se imortalizam.

Deste modo, à folga da paz sobrevém a contínua fadiga de uma obstinada luta, sempre aberta, entre as forças que brigam. A provisoriedade da harmonia, ao contrário do que aparente, exibe a verdade ininterrupta da faina política insculpida no conjunto da existência social. Mais do que deslindar o que somos, interessa enjeitar o que não se quer ser por ordem dos tempos.

Da consciência do padrão, da norma e da disciplina decretados à militância consequente dos juízos que se formam, aí radica a liberdade que a determinação, a vontade e a coragem vivificam. Sem pastorícias, confissões ou relatórios de almas desprecatadas ou, ainda, de outros acrescentos vanguardeiros de saberes incertos (mas legitimados) dedicados ao amparo conformado das subjetividades e das individualidades.

Ao contrário, importa ocasionar e diligenciar saberes de incompatibilidade fundada na sagaz recusa ao poder, captando que este antes de ser repressivo é fecundante e persuasivo. Inicie-se por suspeitar dos lugares-comuns, das verdades repetidas e das obviedades sombrias, tendo presente como nascente primeira dos direitos os que nunca (e em momento algum) se poderão ceder; os direitos à vida, à liberdade e à procura da felicidade.

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domingo, julho 15, 2012

O DESFASTIO QUE É ALFINETAR ESTA (DES)ORDEM

 

RETICENCIAASAnte novidades avistam-se continuada e diligentemente grandes males e imaginam-se, com apressado cálculo, dificuldades invencíveis na presença sempre temida de atrevidas propostas e ousados projetos. Deste modo, danos vindouros e embaraços antecipados convocam o irreprimível sobressalto diante da estranheza do possível emergente. Prefere-se, assim e em silêncio, a certeza prática do que é e está, fazendo falar a voz das suspeições seguras da incerteza. Tudo isto, a propósito de uma revolução digital que angustia pelas perplexidades que se agitam no bojo do seu mistério.

Fazendo da modéstia virtude sincera, direi que a minha incipiência no âmbito do digital, não me aconselhando a impertinência, autoriza-me (no entanto) a sancionar o otimismo nas tecnologias repulsando o(s) poder(es) do seu mau uso. Daí, o meu tímido mas persuadido alvitre sugere que se espie sagazmente os impactos admitindo, sem reservas, a bondade dos projetos feitos de finalidades claras e esclarecidas. Em particular, convicto de que as tecnologias digitais são também tecnologias intelectuais, capazes de engrandecer a esfera da comunicação e o espaço do saber incómodo, vou – cá por mim – “gritando” e “argumentando” em paz com a linha editorial do blogue.

Por isso apregoo que os tabus sempre me seduziram, a liturgia das circunstâncias cada vez mais me chateiam e não deixo de execrar, a todo o tempo e profundamente, o privilégio da fala concedido aos perpetuadores da ordem convencionada. É no alcance destas resistências primitivas, hoje mais primeiras, que vou recuperando verdades esconjuradas mas precisas à disputa urgente da valiosa e útil transparência das ideias. Reabilitar o expulso, dando voz ao interditado, é intentar dizer o que não foi dito totalmente ou não pôde, de todo, ser dito na conveniência histórica ou circunstancial de uns poucos.

Muitos são os temas que encrespam relações e sociabilidades. Como exemplo, a política, a sexualidade e o futebol inscrevem-se nesse universo de permanentes zangas sociais e não só. Mas se as fissuras feitas de diferenças no futebol fazem jeito à ordem das coisas, as diferenças na política e na sexualidade são coisas que, ao invés, atrapalham a conformidade dessa mesma ordem. Assim, se no campo do futebol se animam as diferenças alimentando a rixa, nas regiões da política e da sexualidade, pelo contrário, impõem-se limites ao vigor das suas diferenças. Os poderes têm destas obstinações; suportam bem a democracia das diferenças com a hábil  mas silenciosa condição de o verdadeiro que delas possa advir não derive e desalinhe o que está conveniente e previamente traçado. Alfinetadas? Precisam-se e muitas.

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quinta-feira, maio 03, 2012

OS COMÍCIOS DO PINGO DOCE OU O POPULISMO NO SEU MELHOR

 

1[8]Problematizar (trabalhando possibilidades outras) anuncia a todo o tempo perplexidades, busca continuadamente formas novas de olhar os problemas e desperta sem fim exercícios de pensamento que moldam leituras desafiadoras a naturalizações que, embaraçando a tentativa, estimulam o seu propósito. Estranhar o habitual e permitir a familiaridade do desconhecido requer uma disponibilidade treinada (aberta e diligente) na tarefa sempre árdua de divisar diferenças (presentes e ausentes) nos movimentos silenciosos das diferenciações articuladas que sossegam enrijadas no leito dos múltiplos interesses estabelecidos.

Para quem não alenta nem se fundamenta em rebanhos de espécie duvidosa, as demonstrações populares de desmedido espavento são sempre vistas com o olhar crítico da tolerância exigente. As evidências da numerosidade arrastam consigo (vezes sem conta) a possibilidade de achacados populismos que se corporizam nas imperfeições civilizacionais, quando não nas penúrias de toda a ordem, nas desesperanças da vida ou em crises presentes de futuros adiados. Se alguns políticos (ou políticas) exploram tais particularidades, os mercados possuem delas um saber feito pelas agulhas e linhas com que se cosem.

Assim pensando, diria que a soberania de um qualquer populismo (político ou mercantil), numa sociedade tutelada por culturas de propaganda, nutre-se da exaltação de consumismos diversos com a cumplicidade sempre pronta e enérgica dos enredos mediáticos habilmente dóceis e (sobretudo) artificiosamente criativos. O irresistível anunciado, a necessidade fabricada, o desassossego excitado, tornam voluntário um gesto que (na sombra) embala o humano que nele se deixa adormecer. A necessidade desobriga-se assim da liberdade e da dignidade e amamenta o “kitsch” ardiloso que se alastra transversalmente por campos dispersos, todos eles submetidos (hoje, mais do que nunca) à lógica mercantil que nos incompleta.

A campanha do Pingo Doce, vale o que vale mas vale, no essencial, por que se entranha num espécime de populismo universalizado que, por muitas cambalhotas argumentativas que se deem, não deixa de constituir apenas mais uma forma (manhosa e, talvez por isso, rentável) de desumanização e, já agora, de revivalismo ideológico. O populismo sempre se revelou como meio expedito e despudorado de conservação ou de conquistas de poder(es). Neste particular, qualquer pessoa de bom senso não pode deixar de reconhecer que o Pingo Doce não se quis prestar à virtude da generosidade ou de uma outra qualquer grandeza humana ou social. O Pingo Doce foi apenas e simplesmente oportunista. Fez marketing, fez negócio e não deixou de fazer política. O 1º de Maio era a data conveniente para a convergência de tantos fazeres sem causa moral alguma. O populismo no seu melhor.

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sábado, abril 14, 2012

ARREPIAR CAMINHO SEM DEMORA

 
Caminho tortuoso
Pensar o que se pensa e faz (ou talvez o que não se pensa e não se faz, real e objetivamente) não prescinde (por muito que se queira) da viveza da dialética. Ao trabalhar-se a plasticidade dos limites com o propósito da sua superação, ao dar-se apreço à necessidade pelo valor que nesta se inscreve e, mais ainda, ao aditar-se finalidade à existência (que sendo sempre de alguém não dispensa os demais), cria-se mundo a um mundo que, insuficiente e distorcido, merece ser transformado para melhor. Afinal, a subjetividade não deixa de ser ao mesmo tempo limite e superação, necessidade e valor e, inelutavelmente, existência e finalidade.
 
A ética da responsabilidade (a todo o momento) previne para a inevitabilidade desta objetivação dialética e adverte também para o incumprimento (desconfortante) das obrigações próprias de cada um, do qual o quase todos se alimenta. Neste contexto e no quadro desta penetrante crise, apetece dizer que não chega hoje (talvez mais do que no passado) lutar por ganhar a vida mas, mais fundo ainda, importa o empenho firme em mudar de vida. Capturados pelo atavismo economicista (através dos seus pérfidos preconceitos) aldrabam-se os limites, alienam-se as necessidades e atraiçoam-se finalidades. A penosa evidência dos resultados é a vida que não se ganha e, sobretudo, a vida que não se alcança. O imerecido sofrimento silenciado (ou melhor, institucionalizado e mediatizado) não merece o respeito do dever e do exercício de cidadania. Dê-se assim voz (e uma consciência ativa) a este silêncio feito de um conformismo ingénuo e tolo mas deveras insalubre.
 
 
 

sábado, abril 07, 2012

O DÉBIL SILÊNCIO DOS POBRES

 

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O pobre quando grita a sua pobreza pode continuar pobre. Quando a silencia torna-se contudo mais pobre e mais só. Acrescenta à sua pobreza a penúria das imagens e o ermo das emoções. Às asperezas que o fizeram mescla um outro e novo espaço de desigualdades, mais duras e intangíveis.

quinta-feira, abril 05, 2012

QUANDO A IMAGINAÇÃO DO SUBTERFÚGIO AFROUXA

 

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Os sentimentos realizam em nós múltiplas e insondáveis funcionalidades. Orientam olhares e incitam-nos (sobretudo) a relações preferenciais com os outros e com o mundo. Reclamam racionalidades que autorizam sentidos que dão ordem à vital necessidade do nosso conchego. Desvia-se (pois) o que se move em sentido inverso, voltando (por vezes) a afastar o que já se arredou vezes sem conta. A imaginação do subterfúgio cansada torna-se frouxa. A realidade aproveita e regressa mais corajosa e, para nosso revés, ainda mais teimosa. Aí, acordamos. Não de um sono mas de um sonho distorcido pela nossa pequenez. Afinal, o que parecia ser e gostaríamos persistentemente que fosse, em definitivo não é. Recomece-se…

quinta-feira, março 29, 2012

A OPÇÃO DA RESISTÊNCIA E DA INSURGÊNCIA

 

528509_397025473659333_100000556514411_1402744_257847198_nNão alienemos a reserva de SUBJECTIVIDADE que nos permite aproximar das verdades mais encobertas e mais fundas. A autonomia intima esta atitude e solta a energia que a alenta. Num tempo em que a CULTURA se dissolve na empobrecida comercialização da sua cínica indústria, impõe-se dar à resistência crítica a vitalidade da insurgência ativa. Autonomia ou alienação; uma simplificação? Talvez. No entanto, não deixam de constituir polos de uma opção essencial. A primeira convoca o exercício da nossa liberdade crítica e solidária, a outra, o abandono e a desistência. Com INTELIGÊNCIA, não deve ser difícil escolher. Mais custoso é agir de acordo com essa INTELIGÊNCIA…

segunda-feira, janeiro 09, 2012

UM REMOQUE AO “EU FASCISTA” DE ALGUNS DITOS LIBERAIS

 

compostA arrogância idiota sobre a definição da “normalidade” sempre foi um invento revertido, pelos poderes, em prerrogativa de elites burlescamente autoconvencidas. Venham elas da religião, da política e, pasme-se, de gente estúpida, embora dita ricaça, cuja inteligência, felizmente para todos nós, o dinheiro não consegue subornar. Este tipo de gente julga-se no direito, e outros ainda mais asnos, no dever de regular sobre o prazer dos diferentes para que a ordem social, que lhes dá palco e uma santa rotina, seja conservada.

A religião controla, os sacerdotes inspirados pelos seus deuses, ditam as normas de conduta. O saber laico, ao disputar o lugar do divino, dita práticas e valores. Destes, os entendidos, os comprometidos e os subvencionados, aos quais se juntam insolentemente outros ignorantes encartados, determinam sobre o normal e o patológico. A ideologia dita o caminho certo das pulsões dos outros e, com essas certezas, fixam as subjetividades que a outros cabem. 

domingo, junho 19, 2011

RECORDAR, CONCORDAR E … ACORDAR

 

Para quê políticos? Convidem-se os técnicos, sobretudo os competentes e independentes e a qualidade desta democracia estará, por eles, caucionada. Apenas uma condição se reclama; a quietude e a exoneração dos que nela não se acham …

segunda-feira, junho 13, 2011

OS PRINCÍPIOS CONTRAFEITOS DE UM BEM COMUM TRAÍDO

 

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Riccardo Petrella, que tive o prazer de conhecer pessoalmente, num pequeno livro que tem mais de uma década, “O Bem Comum – Elogio da Solidariedade”, refere que a solidariedade deixou de inspirar os princípios fundadores e as normas de funcionamento das sociedades ditas desenvolvidas. Quais são, então, os princípios que o cientista político e social explicita como contrafeitos? Três, no essencial:

1º PRINCÍPIO - Nada tem “valor” se não houver contrapartida, ou seja, tenha valor económico. Assim, só possui valor de utilização os bens e os serviços comercializáveis concordantes com os interesses da economia capitalista de mercado. Eis a bandeira através da qual se procura fundamentar e sustentar os postulados exaltados da liberalização, da desregulação e da privatização, em desfavor da “necessária” extinção dos bens e dos serviços públicos.

2º PRINCÍPIO - A empresa privada é melhor que a empresa pública porque é uma organização estável para conseguir organizar as relações “comerciáveis” entre os membros de uma comunidade humana e entre os países. Nesta perspectiva, logicamente se convoca a tese segunda a qual o investimento privado é o motor do desenvolvimento de qualquer país e, consequentemente do seu desenvolvimento social, desde que não se inclua aqui o que não rende; os militares e as polícias, por exemplo, têm por função, neste quadro, isso sim, contribuir para a competitividade das empresas. Tudo o resto, é injustificável na linha de que o investimento público cria mais prejuízos do que proveitos. Reduza-se, com o tal apelo ao sentido de responsabilidade, as despesas públicas “não comercializáveis” e, em concordância, os impostos sobre o grande capital, as grandes fortunas e os grandes lucros.

3º PRINCÍPIO - Como corolário natural, a ideia de que o capital financeiro seria a principal fonte de criação de riqueza, insinuando a permuta desta do trabalho humano para o capital financeiro privado e, assim, inspirando a revogação de um sistema de valores desenvolvido e que, historicamente, ocorreu no último século.

 

quinta-feira, junho 09, 2011

DESCULPEM LÁ, A CATURRICE SADIA DE SER ESQUERDA

 

Esboco

NOTA: Texto que dedico aos auto-intitulados democratas que o são apenas porque a circunstância histórica os faz viver numa democracia para a qual em nada contribuíram. Aos democratas de direita, em especial aos meus amigos, que muito respeito, peço-lhes a compreensão e a tolerância para este firme mas necessário desabafo.

A Esquerda perdeu as eleições. E quando digo Esquerda, quero-me referir a todos quanto, colectiva ou individualmente, sabem que a luta é e será permanente porque a história não se fixa por quaisquer resultados eleitorais como alguns revivalistas ressabiados de direita ou mesmo alguns nostálgicos e dissimulados salazaristas, que hoje e agora, com a arrogância néscia que os define, nos querem euforicamente fazer crer.

A Esquerda a que pertenço por ideologia, convicção e consciência não se mobiliza para pequenas batalhas de vitórias transitórias. Apesar disso, essa Esquerda tem a noção clara da importância daquelas e sobretudo aprendeu com a luta e com as dificuldades a resistir perante as derrotas, como esta de 5 de Junho, consciente das condições combinadas, complexas e profundamente desiguais de um sistema globalmente perverso que, no momento histórico atual, tornou claramente refém o poder político democrático de outros poderes que, atrás daqueles, o amanham à feição sem que para tal se tenham de submeter a votos.

A Esquerda que me tem vindo a fazer um cidadão coerente e solidário, no pensamento e na ação, confirma e valoriza a importância da democracia representativa mas reconhece, com igual vigor e seriedade, as suas limitações. Por isso, trata-se de uma Esquerda que não pode deixar de apoiar e enaltecer o empenhamento, a luta e a dinâmica organizadas no sentido de desafiar, conscientemente, o aprofundamento dessa mesma democracia, convicto da possibilidade do seu necessário e constante desenvolvimento a favor da dignidade das pessoas sustentada, como é óbvio, numa maior e mais empenhada equidade social. As eleições foram, no tempo e no espaço, apenas um momento de uma ação no âmbito de uma luta política mais vasta que urge continuar e aprofundar …

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quarta-feira, junho 08, 2011

OS INTELECTUAIS - SILÊNCIO IMPOSTO OU PROSTITUIÇÃO DE LUXO?

 

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Imagem retirada do BLOG AS LEITURAS DO CORVO

 

CORPO ADENTRO de Bernardo Coelho

A primeira grande investigação sobre a prostituição de luxo em Portugal.

Corpo Adentro é um olhar que desvenda o denso e oculto quotidiano destas mulheres, prostitutas e acompanhantes. Uma intensa e rigorosa pesquisa que permite compreender como as acompanhantes dão corpo a uma identidade sexualizada.

 

A analogia não é, de todo, despropositada …

Os tempos de hoje exibem, aos olhos de qualquer moral de reputação merecida, para além de um desprezo indecoroso pelo FUTURO, perplexidades inaceitáveis feitas de múltiplas iniquidades ofensivas ao respeito pelas pessoas e insuportáveis nos planos das exigências mais elementares de justiça social. Embora submersa em bens materiais de toda a casta, a sociedade no seu conjunto oferece-nos, com efeito, uma triste e inquietante QUALIDADE tendo presente os valores da DIGNIDADE HUMANA e da JUSTIÇA SOCIAL que, pela sua centralidade, determinam e autorizam o julgamento de mal-estar e apoquentação.

 

quinta-feira, abril 14, 2011

FINALMENTE, UM HOMEM COERENTE E DIFERENTE …

 

Têm dúvidas? Não o conhece? Pois é. É ele mesmo. Artur Pereira, porta-voz de Fernando Nobre na campanha para as presidenciais, afirmou que se o médico não reunir a maioria absoluta necessária para ser eleito presidente da Assembleia da República, poderá renunciar ao mandato de deputado e ao lugar na bancada do PSD.

Em que ficamos? É simples; depois da embriaguez das presidenciais, para LEVAR A CIDADANIA À POLÍTICA é necessário, torna-se óbvio, um outro palco, um cadeirão bem almofadado e as mordomices mediáticas e públicas que a AMI não possibilita ou eticamente não pode transigir. Para tal, não é relevante conhecer e debater programas eleitorais.

 

Ele merece esta graça e outras mais …

 

O facebook de FN, naquela fase de enlevo e sedução encorajantes, acasalou bem com a astúcia, com os apoios e com os elogios provavelmente desmesurados dos seus genuínos apoiantes. Mas, o mesmo e generoso facebook de FN tem, por sorte, uma memória feita de lembranças mas não, por adversidade, a resistência dessas lembranças. E em momentos de sobressaltos de identidade, quem sente perturbada a estima de si, reage, tudo fazendo para silenciar o protesto e desterrar a indignação dos atraiçoados. A experiência da irrisão de imagens com que seduzimos os outros e conquistamos o seu respeito torna-se num peso insuportável que, sem esforço, verga com facilidade as colunas frouxas da incoerência.

Daí, com expectativa, aguardei que o previsível acontecesse. CONFIRMEM.

sábado, abril 02, 2011

A “ESTÉTICA DO EU”


Um jovem irrequieto, provavelmente narcisista, pouco dado às exigências das religiões e animado pelos valores da auto-realização e pelos princípios da auto-determinação, apresenta um vídeo desafiante que, ao contrário de outros de sua autoria, escapa ao simplismo e afasta-se da banalidade. Os sentimentos de culpa não lhe fazem companhia e as ordens múltiplas e diversas parecem ser os seus inimigos de estimação. O inevitável é sem custo ladeado e as hierarquias tornam-se, no discurso, raias demasiado ténues para serem acatadas.

                                                                                      O incrível PC Siqueira

Procura deslegitimar, sem negligenciar, os lugares e as exigências fora do seu mundo de desejos e aspirações, sejam eles as religiões, um qualquer deus, política ou algo que o tente amoldar. O padrão social e tecnocrático parece igualmente aborrecê-lo pela plasticidade pegadiça de uma racionalidade instrumental supostamente asquerosa que sustenta tal bitola. A forte e determinada vontade de ser ele próprio respira o ar puro de um niilismo que estimula a busca incessável de sentidos, ao mesmo tempo que arrasa os que lhe oferecem.

A descoberta de nós próprios, associada à vertigem da originalidade, não tolera os modelos existentes posto que, como se sabe, recomeçar de novo a isso constrange. Mas os moldes existem e subsistem e, nessa medida, têm de ser dominados, quando não, demolidos. E nesta contenda, a própria descoberta se confunde com a ideia e, sobretudo, com a vontade de criação na definição de si próprio. E o processo faz recorrer, fatalmente, à imaginação que se quer original nessa impugnação aos conformismos de todo os tipos.

A liberdade do eu confronta-se, nessa ocasião, com os diferentes limites da vida e a autenticidade que se vai inventando, ao desaguar em mares de ondas alterosas, encontra a realidade dos outros e do enraizamento de cada um e de todos na comunidade. E é a partir desta incontornável perplexidade que à “estética do eu” se impõe, penso, adir e edificar uma ética dialógica na formação de si próprio com os outros. O valor não reside nem se pode reduzir à própria escolha mas, isso sim, à preferência de sentidos que se estima na escolha. A autenticidade pressupõe o reconhecimento do outro diferente e, nesse acto de reconhecer, a criação de uma ética que a legitima.

NOTA – Confesso; gostei de ver o vídeo e, ao fazê-lo, senti-me desafiado. Por isso decidi partilhá-lo com algumas observações e breves reflexões.

terça-feira, março 29, 2011

NÃO LIGUEM, ESTOU MAL DISPOSTO ...

A (in)competência está inseparavelmente comprometida com os resultados que se obtêm. Pode não esgotar as razões mas, quando a persistência se torna certeza evidente, a suspeita arquitecta um saber avisado e, sobretudo, necessário. O meu primo Baltazar gosta muito de carros e diz-se um conductóre habilíssimo. No entanto, soma e segue acidentes inculpando prontamente os outros, e na falta de comparência destes, às más condições meteorológicas ou da estrada quando não a circunstâncias que só ele entende.

A Europa dos 6 aos 27 faz-me lembrar o meu primo Baltazar. Tem uma condução económica que aceita às cegas a eficiência do motor financeiro e dá crédito ao seu frenético comando, de perfil modernaço, tecnocrata e neoliberal, que “espertamente” denuncia culpas e aponta culpados nos acidentados que causa. Não será altura de mudar de máquina, de condução e de condutor, a bem da vida e dos peões que nela transitam?

Não. Não pensem nisso; ouçam antes um desabafo longínquo de José Mário Branco e entreguem-se ao sono tranquilo de todos os dias...
 
 
 

sexta-feira, março 18, 2011

O MEU AMIGO EDMUNDO E O DESPUDOR DOS CONSENSOS

Nem sempre é fácil acertar uma almoçarada com o meu amigo Edmundo. Ou uma jantarada. Aposentado, eu imagino afazeres e arremato persistentemente com a falta de tempo. Ele, por sua vez, exige tempo e reivindica a minha disponibilidade, apesar da sua situação no ativo. Eu não dispenso a família. O Edmundo não renuncia às propostas da vida. Assim sendo, os nossos encontros estão irremediavelmente condenados por estes murmúrios da vida e da moral que a ordena.

Tagarelamos de tudo o que é imaginável – ou nem tanto - pendurando, na pior das circunstâncias, uma ou outra matéria de desmedida atualidade. Ao fim de algum tempo, como que respondendo tanto à necessidade partilhada de colocar ordem no caos dos factos como à fragmentação dos argumentos e à ambivalência das emoções, recuperamos os temas de sempre, na busca cândida de nos sentirmos à altura da complexidade e da insondabilidade dos enigmas sociais e humanos.
magrelo
O Edmundo, não sendo propriamente um ouvinte bonacheirão, escuta-me com a delicada paciência pedagógica de quem já há muito antecipou a minha reiterada distração pelo sentido das coisas que vão acontecendo. Constrangidos pela acumulação dos acontecimentos, dos imediatos aos mediáticos, o Edmundo incrimina-me de desbaratar a humildade necessária ao admitir as balizas da certeza, daquela que se obstina em tudo aclarar, e da sua achacadiça romantização.

Aliás, Edmundo vai mais longe. Sugere-me um outro tipo de arrojo crítico. Convida-me a forjar tempo e afoiteza para conspirar contra os múltiplos poderes, complexos e ambíguos, que tornam a nossa vida desmesuradamente estranha. Estimular a compreensão face às abastecidas dramatologias do poder, diz ele com aquele seu ar sempre leve, passa por tentar enxergar as razões por que o caos se percepciona como ordem e esta, por vezes, encobre a clareza do desconcerto.

Sócrates e as suas faces ocultas constituíram o mote para uma curiosa e agradável cavaqueira que de imediato e inesperadamente fez sair de cena o primeiro-ministro. Pois mal eu frisei a importância de se obterem consensos alargados sobre alguns aspectos essenciais ao funcionamento da democracia, logo o Edmundo sorriu, largou os talheres discretamente sobre o prato e chispou: - Amigo, quem valoriza assim tanto os consensos não deve ter uma consciência clara dos limites da sua utilidade. - Como assim? - perguntei eu, expectante.

O Edmundo, numa cadência gradualmente mais viva e acusativa, vai aclarando que, em termos sociais, convém aos múltiplos poderes marcar o passo da exercitação da cidadania. Diz ele que as diferenças e os conflitos, sendo a sua seiva interpelante, não se lhes pode permitir que circulem à vontade pela praça pública. Na opinião do Edmundo, o expediente deste tipo de consenso, escoltado normalmente pelo aplauso político desbragado, procura – tão-só – trabalhar e controlar o seu uso em proveito próprio. E é com olhar firme que me questiona: - O que seria da acarinhada arrumação social se a obediência à epistemologia da cegueira e do conformismo não operasse?

E o Edmundo continua: - Não te esqueças que os poderes apreciam a afabilidade democrática dos atores, mas abominam a autoria dos criadores e, muito visivelmente, as suas tendências à subjetivação livre e irrefreável. Os consensos servem, na maioria das vezes, a obra do hegemónico, do conhecimento instrumental e instrumentalizado e dos costumes protetores que suportam aquele caos que se percepciona como ordem e a que há pouco aludi. Em síntese, o Edmundo sublinha a ideia, com um ar invulgarmente empenhado, do interesse dos poderes em se socorrerem do consenso cínico que fabrica o conhecimento que acautela a ação desejada e, principalmente, se torna na sua norma inquestionável.

Mas o Edmundo vai mais longe: - O consenso impudente, afirma ele, aspira à adaptação e à domesticação de comportamentos e horizontes, procurando persistentemente calar e silenciar as singularidades incómodas. Os atores só se tornam autores em espaços de criação solidária, de apelo à participação ativa e ao exercício de uma cidadania que não dispensa a energia da emoção. O que se faz (ou vai fazendo) e o que se conhece (ou vai conhecendo) tem de ser compreendido como significativo e pertinente nas e para as ações que a todos digam respeito. Este é um outro consenso, rematou o Edmundo. - É o consenso tranquilo de uma insatisfação persistente feita de partilha, de valorização das diferenças, de escuta, de implicação e de subjetivação. Olhei para o meu amigo Edmundo e, em silêncio, desabafei para com os meus botões: - Falas-me de um consenso tristemente adormecido à sombra da visibilidade social e consumista de outros assentimentos...