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sexta-feira, agosto 04, 2017

A SEDUÇÃO PREDADORA NA LÓGICA DA MILITÂNCIA (A)POLÌTICA


A retórica política porta consigo, amiudadas vezes, algumas despudoradas emboscadas. Os conhecidos e perversos efeitos destas, levam-me a reconhecer a sua espantosa eficácia. Se bem que, e é bom lembrar para o foco deste texto, o hábil uso dos seus preceitos faz-se competência porque as suas vítimas não enxergam ou aceitam o logro. Por que dele não querem saber ou, pior ainda, ao desmenti-lo prontamente, se apresentam comprazidos na sua doce ignorância. Talvez por comodidade ou, certamente, por volúvel presteza, quando não, por arrogância da própria (in)suficiência. O que me é particularmente irritante não é o que essa gente vai ou não daí obter. O que me azucrina, isso sim, é que essa gente não tolera os outros, sobretudo os incómodos espíritos críticos. Melhor, o que de facto me incomoda é a ostensiva incomplacência dessa gente com aqueles que questionam, que ousam ir além das palavras, que se atrevem a duvidar das promissões ou que, tão simplesmente, se afoitam à hermenêutica das peripécias.

E por quê a minha indignação? Por que a aparente e enganosa tranquilidade dessa gente, quando sobressaltada, e junto, a insolência que a escolta se percebe desmoralizada, o rechaço se denuncia desproporcionado, reagindo ambas em uníssono e a uma só voz em defesa de um eu tolamente narcísico. Assim, nesse derradeiro momento de inescapável fragilidade, a verdade vem ao de cima, a adulação ao discurso sedutor dos predadores, na contingência, nervosamente se sobrestima e o efeito traiçoeiro da cilada, entretanto aparelhada, cresce engajada no triste método do enxovalho argumentativo, a favor de uma silenciosa, mas calculada neutralização do pensar que se anuncia crítico. Neste chamamento ao diálogo com o campo psicanalítico, talvez se possa desobscurecer – é apenas um contributo – um dos traços identitários dessa gente maldizente e perseverante que abomina o que não sabe, ou que não lhe importa saber, e que dessa pouquidade faz do bota-abaixo, desse ao alcance da mão, a patética militância do seu martirizante mal-estar.

segunda-feira, julho 17, 2017

O PSD E A COMPULSÃO DE UM PASSOS À ESTAFADA REPETIÇÃO


Assiste-se, presumo eu, a uma sequela traumática neste PSD, excitada por um triste e deprimido Passos Coelho, ainda fixado à marca de uma suposta e inconsequente vitória eleitoral, provável razão de ser desta estendida e gritante experiência do trauma. O seu discurso repetitivo, enfezado e cindido, não atina com qualquer rota de inscrição na teia, aliás consensual, de representações agora aceites face à atual realidade do país. E o que não se representa emerge sempre, e de um modo aparentemente novo, através ilimitadas e compulsivas repetições, diz a ciência psicanalítica. Encarcerado assim no seu trauma, o PSD ou o Passos no PSD, o passado não passa, a história não se move e o presente (do PSD ou do Passos) nela se vai esperneando por asfixia. Permita-se-me um recomendável palpite; lutar contra um luto, fazer o luto, não é enfrentar o esquecimento. É antes um corajoso exercitar da liberdade. É uma árdua faina de nos libertarmos das (pre)disposições que nos aprisionam aos lugares sombrios da infecunda melancolia.

quarta-feira, junho 21, 2017

A FAMILIARIDADE DA LINGUAGEM E O DESCONCERTO POLÍTICO DE TORNAR O POBRE, UM BOM POBRE


Burgueses há muitos. Os que são porque o são. Outros, porque o cobiçam ser. Outros ainda, porque já os macaqueiam duvidando vir a ser. E, finalmente, a maioria, ou seja, os restantes pobres que se decidem burgueses. Os únicos tangíveis são os matrimoniados com o sistema, que neste vivem bem acolchoados e sabem, igualmente bem, porque razão nele habilmente logram permanecer. Todos os outros, particularizam-se pela natureza da sua ambição de ser, servindo-se de palavras, gestos e esgares grotescos, na qual a farsa, a mistificação, a hipocrisia e a própria imprevidência se caldeiam com a ensimesmada ignorância ou, pior ainda, com o cabal arroubamento de espírito.

Porém, existem Outros. Os pobres, os verdadeiros pobres, os assistidos, aqueles que não têm sequer ensejo para fantasiar e, por isso, atassalham a possibilidade de mitigar a realidade, macaqueando ou cobiçando sonsos e ociosos paliativos. Então, como reconhecer e discernir, não propriamente para surpreender os referidos originais, farsantes ou otários, mas sim o discurso que a todos estas figuras une? Quem é essa gente? Eis alguns sinais que emergem das raízes, relações e entrelaçados circunstanciais dos seus cerceamentos:

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

SEM PROFETISMOS OU MESSIANISMOS

 

Em tradução livre, recordo Boaventura Sousa Santos, sugerindo que os lugares não têm destino. Têm passado, presente e têm futuro. Ouso propor que é nesta marcha do tempo que a destinação se desenha, se alicerça e constrói. Porventura, a escora de uma identidade própria que, deste jeito, se vai assenhoreando do seu caminho, produto de vontades que se agregam e afluem crendo nas pessoas, na eficácia da perceção comunitária do inaceitável e no talento práxico do comum. Sem vaidades ou tartufices, a bem do futuro do Lugar e das suas gentes.

quinta-feira, dezembro 08, 2016

O LEGADO DA INDIGNIDADE

 

A significante evolução das condições de vida, nas últimas décadas, é inegável. A narrativa histórica e social assim o reconhece e a memória dos mais provectos tal confirma. Agora, concordar esta corroboração com o desígnio ontológico da condição humana respalda em si um paralático equívoco. A lógica mercantilizada do desenvolvimento vem cavando um trágico fosso humano e social feito de desigualdades, injustiças e precariedades. O Trabalho disso se ressente e a Cidadania assim se inabilita. Isto posto, trabalhar a condição humana exige o estímulo do humano no Homem e, para tal, importa cuidar da qualidade das políticas e da democracia. Eis, na minha leitura, o essencial da advertência, aliás otimista, deixada por Carvalho da Silva na sua Conferência “O trabalho, A solidariedade Intergeracional, O tempo de reforma”, a 6 de dezembro, nas Caldas da Rainha (Delegação do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa).

domingo, novembro 13, 2016

A (DES)ESPERANÇA QUE SE ABRIGA EM NOVAS MENTIRAS

 

A desesperança nem sempre vive desacompanhada. Quando só, apenas o recôndito silêncio a assiste. Na circunstância possível de se revelar, essa descrença, amiúde, elege o azedume. Daí, mais do que um tempo exato, o momento torna-se um adensado enfurecido de beata repulsa. Um impulsivo absoluto que enturva equilíbrios e enjeita dialéticas. Nos abrumados sonhos então recriados, oferta-se destinos improváveis. Ainda assim, acasos que sorriem perante a possível inanidade. O prometedor ontológico dos populismos, sagaz abecê das novas mentiras. Trump não encenou, apenas mostrou que a História se pode voltar a fazer.

terça-feira, novembro 01, 2016

UMA EXALTAÇÃO AO “NÃO” TRANSGRESSIVO

 

Como diz o poeta, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz Não…

Valter Hugo Mãe (VHM) decidiu no seu mais recente livro, Homens imprudentemente Poéticos, ausentar do seu escrito a palavra não. De acordo com o texto de João Céu e Silva[1], dado que o cenário do romance é passado no Japão, VHM esforça-se em respeitar a impropriedade localizada da palavra. Deste modo, evita correr o risco de falsear a relação cerimoniosa que os japoneses correntemente estabelecem uns com os outros. Igualmente, VHM lembra, em axiomático contraste, que na nossa cultura discursiva o não parece inevitável, alongando-se amiúde o seu uso aos limites do diálogo.

Acolhendo eu esta contumácia, quiçá deveras espalhada, diria que ela não se me apresenta, em si, como uma fraqueza. Na minha opinião, este meu arrastado e desafiado sentir aconselha-me a um entendimento diverso. O não, na sua variedade de usos e significações, obriga-nos a um duro e exigente exercício de liberdade e inteligência. Sobretudo, neste tempo de notório trânsito de uma conformação social disciplinante para uma outra de frívola permissividade. Em especial, no tempo presente onde a vigilância, apesar de falsamente ausente, estabelece com vigor e arteirice a rude diligência da sua industriosa destinação.

Vive-se uma época de uma turbulência feita de convergências diversas. Ainda assim, apesar das diferenças, estreitamente escoradas nos interesses de uma ideologia capitalista homicida e nas suas idiossincrasias alienantes. Não se me mostra, pois, ousado sustentar que os múltiplos sentidos do não se entretecem, numa (des)ordem crescente e mistificadora, de armadilhas compulsivas e/ou de vínculos moralistas, notadamente geradoras de desorientadas e doentias euritmias. Como me aparenta inegável, feitas estas de muitos e distintos nãos. Alguns destes silenciosos e enraizados em aberrantes heranças ou em abstrações obsoletas.

Assim sendo, importa alcançar onde está afinal o Não aos nãos que destroem a vida e a sua dignidade. Ao limitá-la e ao desvirtuá-la, esses nãos desfazem a própria vida e, mais do que isso, implacavelmente nulificam a dignidade do ser humano. A liberdade, sendo uma construção humana, os seus alicerces dever-se-ão assentar nos caboucos de uma primordial descrença. Citando David Cooper[2], a descrença na inevitabilidade das coisas que nos oprimem. Postulo, então, que é dessa descrença que germina o Não que nega os nãos que assistem à sujeição, à injustiça e à arbitrariedade. Ou seja, o Não transgressivo de resistência à opressão e à dominação.


[1] No Diário de Notícias de 31 de outubro de 2016.

[2] Em ALINGUAGEM DA LOUCURA.

domingo, abril 03, 2016

O VALOR DO NÃO NA OBRA DO SIM À INDIGNAÇÃO

 

xadrez_thumb[3]Tristemente nem sempre a razão da indignação se faz ouvir perante o inadmissível. Diante desse imperdoável que abala, a dor forma-se no nosso Ser. O Ser e o ter vinculam-se a qualidades diferentes e visceralmente distintas. Importa separar. O Ser pode-nos levar à indignação, o ter soma-lhe contrariamente a inveja que alenta a avidez. A indignação firma-se na defesa do que se É. Ao invés, a cobiça radica no que não se goza o que outro possui. A indignação busca o reconhecimento que perfilhamos como vital. A sofreguidão, pelo contrário, desvia-se para a degenerescência por entre imediatas adiaforias.

Deste jeito, ao perder-se a paciência, só nos resta o movimento humano da impaciência. Agitado pela voz da indignação, assim se recusa (e bem) a ordem silenciosa da avidez. A invídia não nos trará certamente novos destinos, mas apenas os reiterados ressentidos da passiva inação ou da boçal cupidez. Amanhemos, assim, o vigor diligente da indignação escapando à madraça alienação das cobiças desmedidas ou das frias invejazinhas. Recusemos o espetáculo opressivo do ter, desse ter que nos enfeitiça, valorizando a consciência que naturalmente crescerá com a razão de Ser nesse movimento de recusa e de indignação. Em nome de um outro ter, um ter-valor que nos ultrapasse e se possa estender ao conjunto dos outros.

Imagem retirada DAQUI

quarta-feira, março 30, 2016

PELOS CAMINHOS SOMBRIOS DA DEMOCRACIA

 

goya_negrasA Democracia anuncia-se uma permanente e incansável sintaxe social e humana, ainda que, a todo o momento, inacabada e desafiada. Diferentemente, a vida do comum dos seus artífices – que a Ela destinam princípios, regras e organização – irrompe, não obstante, com atributos que lhes facultam assombrosas e congénitas reações ao seu viver primordial. Protegidos, nascem presenteados com a inestimável e inerente salvaguarda das suas preservações sem que as suas consciências delas se ocupem.

Todavia, esses naturais e provindos recursos, afrentados com vontades conscientes discrepantes, exibem a sua dificuldade, ou mesmo inépcia, na obra comunitária de acerto dos privados desejos e sentimentos. O instintivo dá espaço ao intencional (próprio e comum) e este assim se torna desígnio da obra humana e moral do convencional. À sobrevivência básica segue-se a inevitabilidade natural do ajuste da vida futura. Os problemas singulares, ao fazerem-se sociais, com eles se entrelaçam na sua multiplicidade diversa. Bem mais tarde, concomitantemente bestificados e maravilhados, apercebemo-nos circundados pela improvável e contrastante regência do comportamento social. Desejando certamente, embora confusos, a desejável homeostasia de um mandato que realize o humano. Desejando, enfim, uma Democracia que oportunize a Vida das pessoas.

Mas as convenções chamadas mercados, ao longo dos tempos, converteram-se numa ideia abarcante de suposta dignidade e, sobretudo por isso, desordenadamente aventureira. A negação pertinaz de outras possibilidades e ideações de diferentes modos de vida consolidou a sua ilusória e insondável primazia. O neoliberalismo de que se fala distanciou-se da sua exiguidade explicativa económica e fez-se ao caminho das hegemonias. Tramou pressupostos, arquitetou valores e tornou-se sentido civilizador único. Sem alternativas, autoritário e colonizador. Em suma, fascistoide servindo-se de sombrios caminhos de uma improfícua democracia onde o humano se desperdiça e a humanidade se aniquila.

terça-feira, março 08, 2016

ULTIMATOS, HOSTILIDADES E POUCAS-VERGONHAS

 

susanna_e_os_ancic3b5esPedro Tadeu listou as mentiras e à Maria Luís Albuquerque acusou-a de mentirosa[1]. Das duas uma; ou a Maria Luís mentiu e é, com efeito, uma despudorada aldrabona, ou Pedro Tadeu, ofendendo a ex-ministra, incorre em conduta criminosa por calúnia. Não obstante, no plano da obviedade moral e cívica, aprovo a ideia do jornalista Tadeu de que a incompatibilidade de Maria Luís não é com a vida entre os abutres da finança, mas, sim, com a vida política sã. Mas como a Lei e a Moral, nos tempos que correm, não dialogam politicamente, tudo é possível.

Dizem os historiadores que o Ultimato inglês (1890) representou um sinal vexatório e humilhante para povo português, com consequências políticas e culturais consideráveis. O que pode esta referência histórica tem a ver com a trapalhada das presumíveis mentiras e das eventuais calúnias? É que as linhagens hoje são outras, de um outro universo, não baseadas na tradição histórica da pretérita e paroquial aristocracia, dando o caciquismo rural lugar à caciquia financeira da qual Maria Luís é uma ultramontana, certa e teologicamente submissa. Para mim, o que ela vai ganhar ou não, pouco ou nada significa. O que me importa significar é esse nó simbólico à entronização histórica de um outro aviltante Ultimato, aquele que igualmente nos apequena, o Ultimato continuado dos dissolutos delírios do eufemístico Mercado. E aí, Maria Luísa já há muito se definiu.


[1] No seu artigo de opinião no DN de hoje.

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segunda-feira, fevereiro 22, 2016

UM EXÓRDIO AO OFÍCIO DA CIDADANIA

 

9788579383007Todo o indivíduo tem a obrigação cívica de indagar o mundo e dessa perscrutação agir em conformidade ética. Porém, este dever que decorre da sua inerente condição racional de imediato contrai uma responsabilidade quando acrescida por via da divisão social do trabalho. Neste contexto, dever-se-á relevar a sua condição de produtores (e/ou reprodutores) sociais mais do que de recetores de enunciados.

Esta qualidade torna-se fatalmente um poder relativo que se materializa através da influência, sobretudo sobre aqueles que não integram o campo do pensar interventivo ou se encontram em posições desprovidas de poder formal institucionalizado. A função primeira deste exercício é capacitar os cidadãos, num determinado tempo histórico, em dilatar e radicalizar a sua capacidade de pensar-se a si mesmos.

Para tanto, importa levar o pensamento aos limites do pensável, assim como às suas raízes mais profundas. Como? Trabalhando incessantemente e sem concessões sobre o inconfessado, o pressuposto, o pré-conceito, o implícito, o nunca declarado, ou seja, de submeter à discussão precisamente esses conceitos que servem para discutir, mas nunca para serem discutidos, tendo como referências orientadoras as noções de justiça, de equidade e de liberdade, esse pão do espírito humano, por mais perdido que este pareça encontrar-se.

 

 

Nota – o curto escrito que se apresenta é da minha total responsabilidade tomando, todavia, de empréstimo duas ou três ideias de Rui Pereira[1], no artigo de sua autoria ínsito no LE MONDE DIPLOMATIQUE, de fevereiro de 2016, intitulado «Intelectual»: modos de usar.


[1] Investigador do Centro de Estudos Comunicação e sociedade da Universidade do Minho

sábado, fevereiro 20, 2016

O ARDILOSO PIL(A)RETE

 

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António Barreto (AB) faz parte daquele tipo de coro que melhor cantareja o refrão anticomunista. É o homem das sínteses fáceis que, com desembaraço, acaçapam contradições não resolvidas. As suas ideias aparecem sempre emparelhadas para que a falsidade de uma, que importa difundir, se desaperceba acostada a uma outra em geral estimada. Para AB, a liberdade nunca viaja só. Deve mostrar-se sempre bem acompanhada. Pela lei, pelo direito, pela ordem ou pelo consenso. E se aquela se porta mal, a explicação está na complacência crítica dos seus pares. Se os comunistas estão de um lado, ele está certamente na barricada oposta. Aliás sempre do lado dos que lutam contra a luta. Em síntese, a minha, o pigmeu é apenas um pilr(a)ete ardiloso ao serviço das metamorfoses do capital. Domingos Abrantes esclarece[1]:


[1] Entrevista no Diário de Notícias de hoje (20FEV2016)

 

 

“A natureza é por vezes demasiado cruel para algumas pessoas quando chegam a certa idade. António Barreto é uma personagem pouco séria intelectualmente. Barreto já foi tudo na vida. Esquerdista, comunista, socialista, social-democrata. Ultrarrevolucionário quando estava longe da política na Suíça, e contrarrevolucionário no Portugal de Abril. Ele faz parte de uma fauna que quando não sabe explica. Desliza a grande velocidade para posições fascizantes. Basta ver as suas posições sobre a revisão da Constituição e o que defende para a arquitetura do Estado. Nessa crónica expressa um argumento típico do fascismo, a defesa violenta contra os comunistas. Sofre da síndrome dos pigmeus. Acredita que bolçando lama sobre os grandes se torna gigante. É uma doença incurável. Precisamos que Eça ressuscitasse por algum tempo para se ocupar de certas abencerragens.”

sábado, fevereiro 13, 2016

PODER E VIOLÊNCIA SOCIAL

 

 




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Há monstros que matam rápido e a sangue-frio. Outros fazem-no de um modo refinado, ao longo de toda uma vida. O assassinato destes perpetra-se através da humilhação, da desumanidade e da desesperança, quando não, segredam-me as vozes vindas dos cemitérios, de fome e de frio.

sexta-feira, janeiro 29, 2016

OUSADIA E SENSATEZ – ESTEIOS DE UM CONTRIBUTO

 

ARTIGO DE OPINIÃO PUBLICADO NO ESCOLA INFORMAÇÃO  DO SPGL

O ENSINO PROFISSIONAL EM QUESTÃO

blogUm ponto que me merece ser introdutório: sugerir, desde logo, a ideia de que a educação tem uma história e, conjuntamente associada, uma historicidade que a examina e interpela na sua irrealizável completude. Afinal, uma ação dialógica, em definitivo dispersante, que se vai tecendo na caminhada própria do tempo, esboçando e desenhando forçosos e urgentes futuros. A história entusiasma a humana compreensão, sem dúvida, mas não conduz a um completo entendimento que satisfaça a sua humana paixão. Tendo presente esta convivência improvável, nem sempre virtuosa, entre a história que se estuda e a peregrinante historicidade que a acompanha, o trabalho educativo dá-se na dependência de um incessante e paradoxal movimento que, escapando-lhe, não deixa de ser inspirado por ele e pela sua desmedida pretensão. O modelo escolar há muito inventado, na ilusão de alcançar um todo e perfeito traçado, caracterizado pela sua homogeneidade, mostra-se, afinal, decrépito ante as necessidades multifacetadas do mundo de hoje.

Tendo uma história, a educação torna-se, sobretudo, histórica ao ser confrontada com o inquietamento deste lado pungente do seu disputável curso. Deste jeito, a história vai-se empreendendo na incerta deslocação desse compósito movimento, sempre social, político e antropológico, singularmente marcado hoje, é bom lembrar, pela extensão e invasão do tecnológico. Com particular ressonância social e humana sobre o trabalho e o emprego, esta incursão exuberante do tecnológico interpela profunda e exigentemente a esfera da educação e da formação. Pelas múltiplas transformações que proporciona e suscita, assim como, é sensato assinalar, pelo culto egotista que assiste muitas dessas mudanças e conversões.

domingo, novembro 15, 2015

O DECISIVO E O DISPONÍVEL, A SOCIEDADE E O CIRCO

 

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Neste tempo higiénico de acareação política (e atipicamente argumentativo), os comissários múltiplos desta ordem marcada por um tempo carregado de quatro e vagarosos anos de radicalidade da direita, com a aquiescência da burocracia europeia e reforçada (esta) pelos seus artífices da finança mundial, não toleram a rejeição (esta ou outra) ou, mesmo, a simples e cândida divergência. As desafeições, as improvações, a blasfémia e as excomungações tornam-se a costumeira sentença desse credo (e crentes) que não autoriza (autorizam) que se coloque em causa o exclusivo da sua verdade, aliás, repisada e insistentemente escudada pelos paroquiais e mediáticos contratados de serviço, em esmerada solidariedade reflexa das vozes de controlo remoto que do exterior se fazem perceber.

O ideológico espetáculo confessional aqui e hoje exibido (2015), bem próprio de sociedades medievais, garantidas por uma forte e pespegada afeção religiosa, nem o disfarce de um qualquer operativo efeito descomprometedor é esgravatado. Se dúvidas houvesse, Passos Coelho, na sua histriónica erupção, feita no obsequioso abrigo laranja, apontou ao que vinha e, sobretudo, o que foça (e foca) trapacear. Arrisca na esperançosa invulnerabilidade das vigências coletivas das crenças, acalentadas pela suposta segurança ontológica assente no propósito da continuidade da insubstituível regência (e domínio) e no óbvio e natural convencimento daí resultante. Assim sendo, convencer, vencer e aprisionar é o jesuítico alvo perseguido. Mas, felizmente que a sociedade não se delimita a esse efúgio circense e aos seus entusiásticos circunstantes.

agem retirada DAQUI

sexta-feira, outubro 16, 2015

A INDÚSTRIA DE FALSIFICAR A SIGNIFICAÇÃO

 

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Manusear o Correio da Manhã, que a sagacidade irónica de alguém designou (e bem) de “Correio da Manha”, é uma sindicância às evidências que naquele lugar moram. Com ostensiva e premeditada nudez, tais traços tornam-se corrosivos pilares de uma qualquer arquitetura da possibilidade, aliás sempre laboriosa e dura, de se alcançar o Real. Através desta abjeta destreza, de modo acintoso se aposta numa avivada (mas suja) diafaneidade que busca, tão-só, enturvar o inestimável Entendimento que, como se sabe, apenas ideias claras e sérias podem (e permitem) facultar. A colonização ideológica do “cenário de despolitização”, termo hoje referido (em entrevista ao Público) por Yanis Varoufakis, passa, na excelência, por este lastimável pasquim.

terça-feira, outubro 06, 2015

O PS E A SAÍDA PARA O FUTURO

 

futuroEnquanto não me apresentarem uma argumentação convincente e consolidada, capaz de reabilitar a minha ancilose epistémica, permanecerei seguramente conservador. O tópico contemporâneo das enraizadas e dissolutas desigualdades, aliás de iníquos e trágicos alcances, teima em exibir-me a relação capital-trabalho bem acomodada no miolo da desconfortável fórmula marxista da equação dos seus oponentes interesses e, assim sendo, a tornar-me incompassível aos hodiernos travestismos com que se entraja tal liame. Aqui repousa, nos dias de hoje, e do meu ponto de vista, a aporia (ideo)lógica do PS e da sua social-democracia e, sobretudo, do seu penoso tiquetaquear político de desejada, ou fingida, superação.

A questão não é, como creio, de ter ou não responsabilidade institucional, preceito eleito (como convém) pela governabilidade da dominante Ordem, mas de um inconfundível posicionamento face à verdade da iniquidade do real. Esta verdade pede clareza e não uma qualquer retórica que subjaz à evasiva do seu íntimo entendimento. A bipolarização política vai-se, assim, entregando aos extremos, não outorgando espaço às premeditadas vacilações e obscuridades. Aqui, afinal, reside para mim, a consequente positividade sarcástica das consequências históricas deste selvático e dogmático Conselho de Washington. Aprendi que ter esperança não se fica pela espera. Ter esperança incita a caminhar atrás do que não existe no interior da insatisfação pelo que existe. Este é o esperar da esperança do meu conservadorismo e do otimismo que o segue na vivificante SAÍDA para o FUTURO.

domingo, setembro 13, 2015

AS SOMBRAS METAFÓRICAS DA UTILIDADE

 

debate-passos-costa02_770x433_acf_cropped-1Passos Coelho e António Costa cumpriram a costumeira liturgia de evangelização eleitoral. Ocuparam, sem qualquer pejo democrático, um desmesurado e condensado espaço mediático decididamente aprontado para a eficaz reprodução inventiva da universalidade hoje ficcionada e talhada à regulação vigorante da presente hegemonia ideológica do euro. No “bate-boca”, cada um a seu modo, esgueirou-se da tirania dos incomplacentes instrumentos da dívida e dos ajustes orçamentais. Em síntese, o primeiro, contente, fingiu-se contristado; o outro, contrafeito, paliou a conformidade.

Assim, Passos, enredado e equivocado por números desarticulados, descobriu-se empurrado e encurralado na sua abrupta e enfezada defesa, tanto mais desordenada quanto acreditável, para ele, da sua superioridade e do suposto mérito do seu argumentário. O seu discurso sobre o futuro, escorando-se somente na inoculação do medo, tornou-se sombrio e desalentador. Apesar disso, e perante esta inesperável inépcia do oponente, sabendo vencer mas não convencer, Costa não foi capaz (ou não quis) ganhar definitivamente o país. Esmolando amiúde confiança, não arredou dos cidadãos votantes a arrastada suspeita sobre o seu projeto de futuro. A sua fala, nem uma vez só, transpôs com clareza as raias do liberalismo que diz rejeitar.

Prisioneiros de uma ordem que não adversam, por conveniência ou fraqueza, remanesceu-lhes (tão-só) os artifícios retóricos saturados de significantes que emprazam sentidos espúrios, marcados pela inanidade ética e social e pela sua consonante indeterminação, ou mesmo, indistinção política. Do PSD e do CDS nada se aspira; a ordem serve-lhes e eles piamente tratam de cuidar dela. Ao PS, auto situando-se no campo da esquerda, exige-se bem mais; importa esclarecer contra quem ele se organiza (ou vem organizando), tendo em conta a luta política que se impõe empreender nestes tempos complexos do neoliberalismo globalizado. A utilidade do voto depende desta inadiável aclaração; só depois se pode saber a quem serve o voto e o que ele pode representar na rotura necessária - não só imediata mas também na sua previsibilidade histórica - a favor da inscrição inequívoca da equidade e justiça no âmbito do desenvolvimento social do país.

domingo, agosto 09, 2015

O FUTURO PODE SER JÁ HOJE

 

chaplin_fabricaSeria útil e conveniente, hoje como era já ontem, que nos descobríssemos na liberal armadilha do voto – na verdade sempre incessante e torturante através de uma peculiar e incansável cruzada – se, despertos para esta dolorosa travessia dos últimos anos, tivéssemos a sagaz paciência e sabedoria de expor e brigar, com veia e método, o embuste e a ocultação que calam e protegem, no silêncio da estrepitosa e mediatizada refrega política, o nascedouro do putrefacto mas perdurável miolo dessa continuada estabilidade perante a qual as mudanças (simplesmente anunciadas ou mesmo realizadas), mas sempre energicamente apregoadas, jamais daquela estabilidade criticamente se achegaram.

Afinal, importa assim sondar qual a natureza desse miolo, dessa medular substância que jura tudo fazer melhor e diferente quando tudo, afinal, de modo invariante, continua igual? A esta estranha e esotérica substância alcunho eu, aqui e agora, de exploração capitalista, a tal e persistente desdita que deveria constituir-se, através do seu/nosso reconhecimento, em reagente de uma insurgente e mais bem educada consciência para o necessário e árduo conflito capaz, política e culturalmente, de esclarecer e sementar uma confiável e prometedora mudança, mudança essa que não temesse a radicalidade (porventura revolucionária) enquanto esteio de um combate (quiçá incerto) por um distinto e regenerante modelo de democracia que, em liberdade, albergasse essa radicalidade e desta fizesse o seu indeclinável arrimo mentor. Posto isto, então por que não admitir e acreditar que o Futuro não desponta apenas amanhã porquanto foi ele possível ontem e, talvez por culpa nossa, nos escapou? Assim sendo, por que razão não poderá o Futuro começar hoje mesmo? Quem sabe…

sexta-feira, julho 31, 2015

A APNEIA ELEITORAL DA DES-ORDEM

 

“Estamos hoje a lutar mais por Abril e pela liberdade do que em tantos anos se fez com muitos outros governos, e isso devemos à vontade dos portugueses.”

Passos coelho

8274319_8C69KQuarenta anos após as abruptas exéquias salazaristas, o torrão pátrio goza hoje (diz quem sabe) da celestial harmonia de uma utilidade prometida a todos mas, embora pecado desprezível (digo eu), em que apenas alguns (poucos) colhem benefícios. Esta laudatória acomodação prega (assim, legitimamente) à credulidade das gentes simples afiançando (com denodo e a sorrir) que o torrão está – finalmente – em cinzelado e aprimorado regresso à ordem original. Daí, com razão se justifica, a algazarra feita num tom de voz aguerrido, abrasado e atuante. Implora-se aos ventos (e em refrão) os princípios da permanência e da persistência discretamente ajoelhado na maculada (embora com parco suor mas muito sangue) almofada da probidade com que, perseverantemente, se partejou o conserto que importa não se venha em outubro a encrencar. Assim se pousa o problema e, com tal assento, arruma-se o modo de pautar as balizas do juízo humano (das ditas gentes) e de (piedosamente) encaminhar as mãos desajeitadas ao talhado recorte eleitoral do abono requestado. Fica apenas por cumprir (o tempo promete) a criminação regressiva daqueles que, por manifesta idiotice, resolvam excluir a clemente e eficiente fórmula da essencialização ofertada pelo paternalismo ideológico circulante.

Imagem retirada DAQUI