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segunda-feira, abril 09, 2012

UM DESABAFO

 

(8 de Abril de 2012)

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A possibilidade de nos confrontarmos com desconcertos de significação nas nossas vidas é naturalmente elevada. Para uns ainda bem, para outros nem por isso. Os primeiros encontram nela oportunidades, os segundos ameaças e inseguranças. Para estes, essas dissonâncias revelam-se estranhas, por vezes enigmáticas quando não hostis. A urgência de defesa convoca de imediato o enquistamento de posições. A abertura dá lugar ao autismo e este ao divórcio com a realidade e com a reflexividade que nela nos faz situar. A irritação germina então no vazio criado e os diabos à volta florescem (como por bruxaria) neste caldo emocional. A vida sobrevive assim por meio de uma repetição de imagens iguais que se desdobram sem fim. Em nome de uma liberdade celebrada dela arrepiamos caminho incapazes de nos reinventarmos. Insensatamente.

 

Imagem retirada DAQUI

quarta-feira, abril 04, 2012

A ÁGUA É DE TODOS

 

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Como diria, Mário de Carvalho, aí estão os "filhos-família, patos-bravos e videirinhos que (no regresso traziam já) a reserva mental de dar cabo da revolução logo que possível", a soldo da coronhada de Merkel e Sarkozy e outros quejandos.

quinta-feira, março 29, 2012

A OPÇÃO DA RESISTÊNCIA E DA INSURGÊNCIA

 

528509_397025473659333_100000556514411_1402744_257847198_nNão alienemos a reserva de SUBJECTIVIDADE que nos permite aproximar das verdades mais encobertas e mais fundas. A autonomia intima esta atitude e solta a energia que a alenta. Num tempo em que a CULTURA se dissolve na empobrecida comercialização da sua cínica indústria, impõe-se dar à resistência crítica a vitalidade da insurgência ativa. Autonomia ou alienação; uma simplificação? Talvez. No entanto, não deixam de constituir polos de uma opção essencial. A primeira convoca o exercício da nossa liberdade crítica e solidária, a outra, o abandono e a desistência. Com INTELIGÊNCIA, não deve ser difícil escolher. Mais custoso é agir de acordo com essa INTELIGÊNCIA…

sábado, março 24, 2012

PALAVRAS DESNECESSÁRIAS


silencio
Gosto dos silêncios que se buscam e de alguns que se impõem. Não gosto das palavras que mascaram os silêncios que procuram comunicar. Gosto (no fundo) dos silêncios que aproximam ...

terça-feira, março 20, 2012

PARECEM SEMPRE GENEROSOS - UM RECADO PARA OS INCAUTOS

 

405069_391190964242784_100000556514411_1385695_1677358200_nAs estratégias parecem-me fáceis de desmontar. Apresentam provas dadas na vida mas apressam-se, por receios fundados delas não serem convincentes, a vestir a pele de cordeiro de gente boa virada para os outros. A alma (supostamente à procura de admiração) e o propósito (fingindo ser o que não é) dividem as tarefas na harmonia impossível de uma generosidade dolorosamente sentida ausente. Mas como os tais outros, beneficiados e gratos por esta louvável magnanimidade, podem duvidar, importa inverter o ser e o parecer, forçando-os a um abraço afetado para que a fachada prevaleça sobre o silêncio da verdade incómoda. As máscaras da sociabilidade, da amizade e do gesto da partilha, completam a nudez da burlesca teatralidade. Como sempre, estes generosos e retóricos democratas pensam em primeiro e em último lugar em si próprios. Deste modo e inevitavelmente, qualquer sucesso arrasta consigo o incontornável fracasso de um altruísmo falsificado. Então, o que os move? As respostas podem ser muitas e diversas. No entanto, um denominador comum; a imoralidade da moral dos que dominam e, a fazer-lhes companhia, o estado de espírito dos tolos inseguros e ridículos que, sem futuro, querem apenas afirmar preponderâncias circunstanciais que o tempo favorece. Pior ainda, apropriando-se do que não devem…

quinta-feira, março 15, 2012

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

 

ferreiragullar_foto_gilsoncamargo_14_01_10riodejaneiro5web2Tomar consciência e valorizar esta atitude exigente (chamada, tomada de consciência), simultaneamente intelectual e existencial, é reconhecer que o saber é perspetivo e traça os horizontes das visibilidades e das dizibilidades que nos fazem gente. Assim , conhecer é (sobretudo) viver com verdade o local que nos ajuda a ser (ou a não ser) o que somos, a procuramos o nosso lugar de afirmação (enquanto trabalho violento sobre a dignidade que nos faz ser) e observar (quando não, respeitar com o esforço do rigor necessário) o espaço fecundo de abertura ao pensamento insurgente, tendo sempre presente a indissociável relação da liberdade que se procura (eu) e da solidariedade que a institui e a enriquece (na relação com os outros e com o mundo), duvidando criticamente das instituições que, de modo parcial, lançam a intransparência naquela singela mas complexa interação ou, (melhor ainda), na sua desejável subordinação ética e social.

domingo, março 04, 2012

sexta-feira, abril 08, 2011

NUM CALÃO AJUSTADO, ANTES ARCAICO DO QUE CHUNGA

 

Os mercados, lugar de chavascal dos grandes bordéis financeiros e empresariais, tanto chinfrinaram que catrapiscaram os artistas do centrão na artimanha de um gardanho que anuncia os calotes de outros mas calam as suas trapassas e os seus intentos. Evangelizam pregando as tretas do endividamento de todos nós e a cenaita dos nossos muitos e indecorosos gastos e exigem, a lamber os beiços e com as unhas de fora, a liquidação do graveto que não devemos.

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De ora em diante, Deus é grande e aconselha-nos a pagar. Mas, como Deus nem sempre é testemunha e os ardiúmes na pachacha incomodam, vêm os ensafornados conselheiros dos homens do guito advertir para a urgência de se ser previdente e saber acautelar o futuro. A cartilha chega aos bordéis e a agitação instala-se e espalha-se. Do pé para a mão, os chungosos do circo dão conta do alvoroço e no silêncio das suas chocadeiras, ordenam aos morcões que finjam malabarismos para congraçar a encenação dos desvarios e embelecer a torpeza das intemperanças.

Com a mão na massa e a toque de caixa, aqueles artistas chungosos, mais parecidos com perfumados coninhas de sabão, decidem então atirarem-se aos dispêndios ditos inúteis que tanto fazem salivar os cagalhões engomados, chibos que não vão a votos mas que há muito aprenderam, e bem, a vender gato por lebre e a botar água no feijão para que a miséria não se note. O recato da vilanagem vira sem disfarce, na chafurdice da hospedaria, num entusiasmante espetáculo de alegres berlaitadas dos bunicos engravatados com as perspicazes alternadeiras.

O futuro ganha assim um brilho resplandecente à medida que os lazarentos, com o abate dos seus ganhos “indevidos”, sentem gelar-lhes o sangue nas veias. Na estilha, o farsola conselheiro do homem do guito, com aquele seu ar televisivo de jeco, logo assevera que é castigo merecido para manguelas que nada querem ou sabem fazer e que, a todo o momento, confundem o olho do cu com a feira de Montemor. Basta de pérolas a porcos, diz o javardo de nariz no ar e peito aberto.

As contas, isso sim, é que têm de estar em dia, insistem em uníssono os badamecos desta grotesca estória. Depois das fábulas da carochinha que somos mestres em contar, cochicham eles aos papa-açordas, a vossa felicidade em breve estará de volta e as bichas de bacocos a mendigar ocupação, que tanto vos quilharam, irão desta pra melhor. A alegria dos pequenos nadas será, finalmente, o vosso resgate e nós damos de frosques para o nosso modesto coio.

VIVA A DEMOCRACIA, gritam os gabirus dos lagaços. FONIX, respondem os atrunhados morcões desconfiados.

terça-feira, abril 05, 2011

UMA ACUSAÇÃO ?

Estes - e outros compadres que não estão na fotografia - são os responsáveis por este horizonte onde as possibilidades parecem não existir. Diagnosticar o presente político é tropeçar nestes comparsas que representam, na paróquia portuguesa, as forças que constituem a nossa triste atualidade social e económica. Representam, também, apesar da dramatização mediática dos seus aparentes conflitos, os movimentos conservadores que nutrem o medo das mudanças necessárias, favorecendo o pânico público do temor da transformação que não os serve a eles nem, sobretudo, aos que deles se servem. A sensação de um tempo sem alternativas é uma mitificação que apenas tem como propósito ofuscar todo e qualquer inconformismo. Nesta perspectiva, importa ter coragem e procurar pensar diferente não contribuindo, pelo silêncio ou inação, para a inevitabilidade do que infelizmente existe.

Para vosso esclarecimento, convido-vos a uma visita ao …

“EL GRAN CASINO EUROPEO”

 

Agradeço ao Ricardo Pinto o facto dele me ter dado a conhecer este “achado”.