Será que alguém de bom senso contradita a ideia de que o Consumo há muito se descasou das verdadeiras necessidades das pessoas, viandando pela intemperança do dispensável ou pelas apatetadas passarelas do Simbólico? Eis um ruído sibilante que julgo salubre lembrar como óbvio; o abrir de mão das rendas com que o concupiscente Lucro avassala a Publicidade conivente em perda do Salário que o serve. Aliás, estrupido esse, que num mundo sem fronteiras, a Besta Globalizada faz ouvir enquanto seu santo e bendito Lugar. Neste, Ela forja mercados, inventa engrenagens e conforma ficções prestáveis à epidemia que sufoca o Humano Futuro. Um futuro, que no concreto, é tão-só um ensejo aguardado, cercado por uma avivada fadiga grifada no paradoxo da recusada descrença. Desta alogia, sobra então a íntegra razão da Esperança do (e no) Humano, donde medra a Convicção que alenta a faina do Resistir.
domingo, junho 18, 2017
sexta-feira, junho 16, 2017
O SOFRIDO LABOR DA AUTENTICIDADE
Como é penoso sacudir o passado. Um passado que afinal não passa. Sempre presente, desvela uma sobra de afetos que me amarga. As palavras úteis escondem-se por trás desse mudo silêncio que me castiga. O meu eu inquieta-me e o espelho em que me procuro descobrir não se cansa de testemunhar a minha culpa. Assim, a singularidade, que laboriosamente busco, parece esgotar-se nessa briga infinda com o avesso mundo das normas e dos seus medidores. O caminho e o sentido da autenticidade, desse modo, tornam-se compromisso, dívida para com a dignidade, uma viagem sem dúvida incerta e ousada. No seu fundo, uma aventura humana que não posso, nem devo deixar de tentar. Sempre e com determinação. Não há volta a dar.
quinta-feira, junho 15, 2017
ILUSÃO OU PESADELO?
A ordem mercantilizada, hoje instituída e severamente estabelecida, acomoda-se a uma dinâmica progressiva de desigualdades, inscrevendo-as em largos e múltiplos campos de natureza muito diversa. Não conhecemos os confins deste açodamento, mas vivemos e sentimos já o seu violento ritmo. Saber se as classes sociais, consequência dessas desigualdades, existem e quais as suas fronteiras, constituem hoje vertentes analíticas de merecimento relativo. A expansão e o desdobramento do todo das desigualdades tornam, aquelas, seguramente subordinadas nos seus rumos e alcance. Com a atual evolução da Inteligência Artificial e do desenvolvimento da Biotecnologia, sem demora se perspetiva um outro cenário, ou seja, o da transmudação de natureza das próprias desigualdades. A tradicional e primordial natureza económica das desigualdades será, desta feita, reconcentrada pelo biológico. A partir daí, deixamos de falar de classes sociais e passamos a discorrer, com maior rigor e pertinência, sobre castas biológicas. Assim sendo, nesse tempo, certamente se urdirá e sintetizará a mais inquietante e desalmada doença da humanidade futura. Será?
sexta-feira, junho 09, 2017
SEI APENAS QUE POR AÍ NÃO VOU
Circunstância pode sugerir mera particularidade, condição ou mera qualidade determinante. Contudo, pode também instituir-se como causa, desejo ou motivação incitante ao comprometimento. Ou seja, uma circunstância que se faz ocasião e, não raras vezes, se torna acontecimento, já que força à preferência, ou mesmo, impõe a opção.
Claude Roy, no seu livro O homem em questão, anota no seu texto introdutório, duas ideias que desde 1972 – cumpria eu o serviço militar em Moçambique – eternizei no meu espírito.
A grande questão metafísica da vida quotidiana é a dos encontros. Os seres são inúmeros, mas apenas conheceremos alguns deles.
Mais à frente, acrescentava uma outra que abrilhantava e aclarava a primeira.
Viver nem sempre é escolher o que se conhece, mas é sempre escolher o que se recusa reconhecer.
Ao longo da vida, e nas mais diversas circunstâncias, a síntese destas simples intuições facultaram-me prezar (e dispor) o (do) argumento da recusa, mesmo quando confrontado com o incerto caminho a tomar. A recusa de um caminho tornou-se, nestes hipotéticos cenários, uma confiante certeza que me espicaça o risco de jornadear por veredas desconhecidas e até imprecisas. Apurei, apesar das dificuldades, que o exercício do Não, convicto e fundado, pode-se transfigurar num horizonte impensado de possibilidades e oportunidades. Diferentes, provável e naturalmente, e decerto bem mais benéficas para a Vida.
quinta-feira, junho 08, 2017
OS LUGARES DA VERDADE
Exausto, onde busco os lugares da verdade?
Nos mitos quando a razão me confessa a sua falta?
Nas imagens junto dos vazios do representável?
Escalando o céu das transcendências,
repousando no aconchego das suas metafísicas?
Ou, entre outras artes ilusórias do entendimento?
Apenas creio que esse lugar está ao alcance da coragem,
algures no concreto da vida,
entre o que sou e o que ainda cuido ser.
terça-feira, junho 06, 2017
CHEGOU O TEMPO DAS VERDADES INCONVENIENTES. E A CORAGEM?
Abrolhado eu nas entranhas de um tosco tempo de ignorância, aí duramente devassado pela presença autoritária da crendice e do medo, estremecendo com os decididos assertos de escusos confessores (aqueles de sotaina e outros de diferentes batinas) ou, apenas mesmo, tristemente intimidado com os seus circunspectos, embora ávidos e abelhudos movimentos, sendo esse um passado distante, apresenta-se-me ainda hoje, esse tempo, um tempo de doídas sobras de infindáveis e múltiplas memórias, se bem que algumas de apreciáveis experiências, perduráveis conquistas e, quiçá, muitas outras de lamentáveis impulsos ocasionais.
Recordo ainda, quando fora de portas, digressoando em tempo de férias pelas profundezas da rusticidade das nossas terras e aldeias, o mundo parecendo-me outro, àquela memória incorporara-se afinal uma outra, sem dúvida mais meândrica, forjada na alma de um sentimento de liberdade traído, dado que laboriosamente a circunstancial alforria se me exibia mutilada. Reporto-me àquela outra biografia entontecida por misteriosas histórias repisadas de feitiços e de magias, de bruxas e de endireitas, levando-me a adolescer numa andança em que o permanecer, afinal, se fizera à custa de uma arte de viver em incessante e obstinado risco, porventura até mesmo ascético, na genuína e humana busca de me tornar sujeito da minha própria verdade.
Com o tempo, desfez-se esse tempo da crença assujeitada à conveniência espúria das verdades decididas, passando a escutar o vozear dos possíveis, que das sombras dos seus silêncios, neste meio-tempo, se faziam e ainda se fazem ouvir. Assim sendo, terá chegado finalmente o tempo das minhas verdades inconvenientes? Provavelmente. Tenha eu agora a coragem de as dizer, de as saber dizer e de as saber partilhar claramente e, se necessário, dizê-las com gentil e conveniente insolência, entregando-me à liberdade do compromisso urgente de cuidar de mim, sabendo cuidar do Outro e da dignidade (ontológica) da condição humana que a todos assiste.
sábado, junho 03, 2017
O CÃO, O GATO E O HOMEM
O cão e o gato, mesmo quando exultantes, não riem. A todo o momento, os humanos-bichos-do-mato podem levar o sorriso aos confins da gargalhada. Aqui habita uma estranha diferença digna de ser esgravatada. Desejavelmente, até ao fundo do seu tutano, não obstante as múltiplas teorias a respeito deste social afogo e dos seus peculiares roteiros espraiados sem limites. Para proveito humano e do humano, decerto interessa ousadamente insistir nele, no riso.
O riso é sempre bem-acolhido. Quando a liberdade cumpre a sua parte e o riso alegra o clima. Melhor ainda, se arruma o seu júbilo à serventia do pensar, escarnecendo sobre os ondulantes artifícios das certezas que ordenam as superfícies sonsas das nossas vidas. A sua autora ironia, com malícia encostada, habilmente apresentada, cumpre então aquele vital divertimento de nos devolver as coisas da vida de modo mais aprazível e saudável. Diante disto, enobrecer o riso com humanidade, não só traz vigor à Vida como encanta a sua condição (a Liberdade) e cuida do seu destino (o Outro).
domingo, maio 28, 2017
O MEU LIVRO QUER OUTRO LIVRO
Sessão do Meu Livro quer outro Livro, 25 de maio de 2017
Utopia - Poema para o amanhã, de Francisco Madureira.
Departamento de Professores e Educadores Aposentados e Departamento da Cultura do SPGL
sábado, maio 27, 2017
CAUTELA COM AS TOPADAS
Acredita-se que o português fantasia ser o que não é ou estar onde não está. Diz-se que assim vive suspenso no seu tempo histórico, adormecido na sua entranhada religiosidade, replicando-se incansavelmente nas regras e fórmulas do seu culto. Porém, sendo o português, diz-se também, certamente mais supersticioso do que devoto, a vida mostra que lhe sobra uma galhardia feita de talento inspirativo e de emoção lírica fácil, para se ligar a consentâneas circunstâncias, mais doídas ou entusiasmantes, donde se soerguem grotescas e teatrais erupções coletivas.
Errante e dilemático, esse português, usa máscaras e disfarces numerosas, jubila com rotineira leviandade, se bem que fácil (e amiudadamente) se estatele na merda. Descuidado (ou nem por isso), enleia os valores do sentimento e da comoção, cultuando sem lágrimas e com aguaçada destreza, o segredo do mexerico e, com a leveza do instintivo, agarra-se ao vício irresistível de profanar o próximo, mesmo que de um comparsa se trate. Por mim, duvido deste retrato identitário do português. Não obstante, se não me cuido, neles tropeçarei mais vezes do que agoiro.
terça-feira, maio 23, 2017
PARA UMA CULTURA DE DESOBEDIÊNCIA
Vezes sem conta, muitas mais do que se imagina, a obediência rasteja por trilhos de obscura lealdade ou continuidade. Os encorajamentos da obediência, servindo-se de secretos e perversos alicerces, promovem e respaldam, com a maior das indignidades, estranháveis (embora entranháveis) autoridades. Estas, recorrendo a poderes intrigantes e a saberes por eles malsinados e utilizáveis, fatalmente excludentes, traçam com crueldade geométrica as suas fronteiras disciplinares, intransitáveis àquela liberdade desafiadora da emigração de criações implicantes.
Os condenados ao coagido exílio, nestas circunstâncias, negando o silêncio submisso, amantes da livre circulação da palavra, empenham-se (acertadamente) por pensar em voz alta, resistem pensando diferente e, sobretudo, com a presença ousada da coragem, não desistem de pensar. Ao mundo, os dogmáticos obedientes, acima de tudo estes, e não a triste escolta que a imbecilidade guarda, apenas mostram uma fachada, aquela codificada em sínteses ideológicas e morais trapaceiras, que bem escondem (nesses fundos) uma miserável história de exploração, dominação, hipocrisia e corrupção.
Em jeito de desfecho, diria que no fundo dos fundos, como vitalidade medular desta história, encontramos a ganância e os seus comoventes papagaios que rastejam à cata prostituída do restolho das migalhas. Assim sendo, garanto que o eixo utópico deste desalinhado contributo entrega-se mormente a amofinar o cantar desses psitacídeos e a infestar as suas gaiolas de padronização interesseira, sejam as douradas dos ladinos, sejam as piolhentas dos alegres e lerdaços parasitas. Como primeiro passo pedagógico, se me permitem, aconselho a estimar aquele olhar atiçado pela tentação de desobedecer, ou mais simplesmente, de dizer não e de corajosamente vociferar BASTA…
sábado, maio 20, 2017
MAIO 13, UM CONCENTRADO DE EMOÇÕES
No 13 de maio último, numa intrigante fúria (ou fuga) histórica, enrugada por súbita vinculação a um sublime fado lusitano, admitia-se que os portugueses se haveriam, afinal, de reencontrar com as suas raízes simbólicas e mitológicas, mediante as quais a faceta exaltante da jactância, finalmente, reprimiria a aferrada queda na persistente e deprimente saudade acamada, um tanto ontológica, da sua arcaica essência criadora de impérios entretanto abortada.
De manhã, todos, mesmo todos (cristãos, ateus e apáticos), confluiriam, mental e fisicamente, para esse beatificado lugar predestinado, onde os pastorinhos, não deixando de o ser, se converteriam em santos. De tarde, todos, mesmo todos, se regozijariam com os seus lábaros ou bandeiras, na circunstância professantes ou tinhosos, estes caçoando com o burlesco da treta, os outros comemorando em gáudio e em trânsito o tetra, todavia, ambos, todos, em divina eucaristia canibalesca com o ondeante de agitação avermelhado.
À noite, muito provavelmente, e pelo contrário, o acerto apresentava-se menos esperançoso. Um rapazote, com uma deselegante aparência relaxada, barba em arrogante desalinho, cabelo estranhamente encapelado, à revelia dos mais reverenciados escantilhões prescritos, ousaria botar anomia artística na ordem fabril da exorbitância festivaleira.
Tudo aconteceu, tudo parece ter resultado, e como se presume saber, a transferência tem uma força psíquica poderosa, pois os egos marcadamente neuróticos, sobretudo em cenário de massas, tendem a albergar no seu eu esse mundo inteiro, embora incomum, quando este se compadece, acima de tudo, com uma desaconchegada dispneia existencial. Assim, deixar a libido descansar e as emoções flutuar livremente, manifesta-se em um útil oportuno. Certamente, assistirá ao nosso sentimento de sobrevivência e, nunca se sabe, de consolável refúgio.
domingo, maio 14, 2017
QUANDO A EMOÇÃO NÃO DISPENSA A LUCIDEZ
domingo, maio 07, 2017
DESTINEMO-NOS
Reacende o sensível que em ti adormece.
Derrota essa cobardia que te desalma.
Sacode os galhos que te tolhem o rasgo.
E liberta-te da teia das repetições.
Descobre o novo diante da tartamudez do mesmo.
Arrisca a corrente de ar que te refresca.
Despede-te do sofrimento que te suga.
Vai, vai por que sem coragem o futuro aperta.
terça-feira, abril 25, 2017
O TEMPO E AS SUAS DÚVIDAS
A(s) história(s), os discursos e os poderes, nos seus múltiplos entrelaçamentos, reiteradamente entretecem curtas verdades que acobertam o essencial da realidade. Pratica-se, então, o exercício de análise e de pensamento na busca compulsória de caminhos para surpreender o medular da Verdade mascarada. Posteriormente, indaga-se com atrevimento o saber desse exercer, correndo os riscos próprios de um tempo entrópico, acreditando no juízo disponível de uma consciência incertamente instruída. Os relatos então espiados, mesmo os mais inócuos, arrumam narrativas falhas que calam o segredo da mecânica do poder, abafam os seus movimentos e exorcizam as suas sequelas e responsabilidades. Eis as pequenas-grandes dúvidas de um tempo tão pessoal quanto imediato.
sábado, abril 01, 2017
UM ACORDO DE PRINCÍPIO QUE FINDA EM DESACORDO DE FACTO
Por muito que me esforce por escutar a voz da minha razão, o desconforto ofusca o seu ímpeto e confunde a sua linguagem. Entregue a mim próprio, o consolo possível parece persistir nesse aceno, um tanto patético, de apelar a algo que me ultrapassa e se esgueira. Embora distante, ou na fisionomia ausente, a minha condição de cidadão comum em tempo algum se despegou da sua dimensão política e, naturalmente, da sua legitimidade social e dever de intervenção. Após três mandatos consecutivos da CDU, independentemente do que se realizou ou não, se fez bem ou menos bem, e que a comunidade ajuizará nas próximas eleições, desponta uma incompatibilidade embaraçosa entre duas influentes personagens, socialmente reconhecidas, em particular no quadro político da CDU, que a meio de um percurso (im)provável e penoso, embora conseguido, se desavieram inusitadamente, sobretudo, para a generalidade do seu presumível eleitorado. O exercício político supõe ideias, exige projetos e, seguramente, trabalha por resultados. Não duvido das ideias e dos projetos que a ambos juntou. Suspeito, isso sim, que as consequências da rutura não tenham sido devidamente cuidadas e, permitam-me, acuradamente sopesadas. Consintam-me, pois então, a expressão pública deste meu penoso lamento.
domingo, março 05, 2017
O COMPROMISSO DE RECONHECER
A sua simplicidade, a sua firmeza, o seu saber, todo o seu conhecer e vontade de servir a comunidade, todas estas suas qualidades transformam-no num homem ímpar, que merece o meu reconhecimento público e, como tal, político.
domingo, fevereiro 26, 2017
VOTOS DE UM BOM CARNAVAL
Há gente que ao aparecer faz o possível de parecer o que não é, mas diligentemente mostra ser, por vezes, o que de todo não é. Outros há, que se empenham por aparecer, parecendo o que procuram denodadamente ser. Este é o quotidiano desigual de um tipo de carnaval multifacetado que o tempo de Carnaval desobriga, dissolvendo os diversos contrastes numa oportunidade comum de galhofa e onde a sadia ociosidade se espreguiça ante o esmero da distinção. O Carnaval é, deste modo, talvez o tempo único onde o poder de iludir escapa à prova da sinceridade e a hipocrisia, podendo existir, se acolhe na legitimidade da sua máscara risível. No Carnaval, o poder de iludir, ao desenvencilhar-se da maçadora perversidade do mau uso da liberdade de cada um, dá descanso à necessidade de agasalhar uma nudez interior embaraçosa. Aproveite-se o Carnaval ... para que o porvir do quotidiano possa lucrar com a venturosa folia.
domingo, fevereiro 19, 2017
ONDE SE METEM OS COBARDES APADRINHADOS?
E se o homem experienciasse o desrespeito com maior exigência? E se o sentimento daí resultante se revertesse em convicção político-moral? Ou melhor, se esse sentimento volvesse em estímulo motivacional de um ressarcir empenhado da sua dignidade e integralidade? Onde se iriam refugiar, com o rabinho bem entre as pernas, os oradores sagrados deste tempo selvático?
quinta-feira, fevereiro 16, 2017
SEM PROFETISMOS OU MESSIANISMOS
Em tradução livre, recordo Boaventura Sousa Santos, sugerindo que os lugares não têm destino. Têm passado, presente e têm futuro. Ouso propor que é nesta marcha do tempo que a destinação se desenha, se alicerça e constrói. Porventura, a escora de uma identidade própria que, deste jeito, se vai assenhoreando do seu caminho, produto de vontades que se agregam e afluem crendo nas pessoas, na eficácia da perceção comunitária do inaceitável e no talento práxico do comum. Sem vaidades ou tartufices, a bem do futuro do Lugar e das suas gentes.
sábado, fevereiro 04, 2017
UM TESTEMUNHO APENAS
Não sei o que dizer quando testemunho um abraço entre dois amigos, enlace no qual, naturalmente, a amizade experimenta o embaraço (sobremodo recompensador) em assinalar as suas próprias fronteiras. Como vos invejo, amigos. Desculpai este ciúme, aliás de um saudável egoísmo, quando presumo reconhecer uma amizade capaz de resistir às vicissitudes das múltiplas exigências, dos tempos e das experiências, nem sempre, certamente, condicentes. No fundo, uma amizade onde o conveniente não é a marca e o convincente alcança o seu lugar. Admirável amizade que os seus amigos, que sei não serem poucos, sabem que transcendem os próprios Henrique Bertino e Rogério Cação. Se bem que, nem sempre presente, dessa nobreza e dignidade sou uma perseverante testemunha. Agradecido aos dois. Muitas felicidades a ambos.