Ao ler o Le Monde diplomatique, dou comigo a
ratificar essa onda metamorfoseadora da ordem económica mundial, assente no
poder financeiro e comercial dos Estados Unidos. Pelos vistos, os monopólios
americanos vão sendo contrariados pelos interesses estratégicos, tecnológicos e
energéticos da China.
As sanções dos Estados Unidos parecem estar a perder
eficácia e, com elas, parte da influência do sistema financeiro internacional
estribado no dólar. A China, através de mecanismos distintos, vai reduzindo
essa dependência exclusiva. A globalização vai-se alicerçando numa correlação
de forças cada vez mais difícil de controlar. Por sua vez, a China parece
querer abraçar grande parte da lógica liberal do comércio mundial, procurando
ocupar uma posição de maior poder no seu interior.
Em síntese, diria que o que muda é sobretudo a divisão dos poderes. Por detrás das trocas comerciais continua a atuar um campo de disputas entre potências, interesses estratégicos, rivalidades geopolíticas e relações de força. Permanece, assim, a tensão entre o ideal universalista da cooperação humana e a realidade histórica do poder.
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