Ao articular fenomenologia, hermenêutica e ciências humanas, Jean-Paul Resweber constrói uma matriz concetual densa, cuja tese sobre a estrutura do valor assume uma assinalável eficácia teórica. Depreende-se dessa formulação que o valor não se configura como um dado estático, uma mera preferência subjetiva ou uma imposição heterónoma. Pelo contrário, o valor estrutura-se a partir de uma interação dinâmica e mediadora entre os diferentes polos da experiência humana.
Neste modelo epistemológico, o valor emerge da tensão
criativa e da emergência de sentido que ocorrem na confluência entre o sujeito
e o mundo. Acolher a perspetiva de Resweber implica reconhecer que a moral e a
ética não se reduzem a imperativos abstratos nem a impulsos solipsistas. O
valor decorre, sim, de um processo contínuo de transfiguração, no qual desejos
singulares se convertem em sentidos partilhados e normas vivas. A valoração
constitui-se, assim, como um ato hermenêutico de interpretação e reconfiguração
permanentes, ajustando-se à medida que a própria práxis evolui.
Ao adotar esta concetualização, afasta-se a análise tanto do
dogmatismo essencialista - que hipostasia os valores como verdades absolutas e
a-históricas - quanto do relativismo ingenuamente pluralista, que atribui uma
validade indiferenciada a qualquer valoração. Reconhece-se, por conseguinte, a
complexidade epistemológica de posicionar o valor como uma construção
intersubjetiva de sentido, edificada no diálogo contínuo entre o eu, o outro e
o horizonte cultural.
Em última análise, a estrutura do valor na perspetiva de
Resweber reside na articulação dialética entre duas instâncias aparentemente
antinómicas, porém interdependentes: o desejo, enquanto força vital, subjetiva
e afeto; e a norma, enquanto exigência racional, reguladora e coletiva. O
desejo desprovido de norma degrada-se em impulso cego; a norma desprovida de
desejo reifica-se numa obrigação formal e estéril, destituída de adesão
interior.
Quando a subjetividade almeja algo de valioso, esse afeto
codifica-se em formas sociais e simbólicas para se tornar comunicável e
partilhável. O valor manifesta-se, portanto, na síntese contínua em que o
sujeito procura conciliar a fidelidade à sua intenção interior com as
exigências da ordem ética e social. É mediante o diálogo, a narrativa e a
cultura que as vivências se traduzem em conceitos e regras compreensíveis,
sendo a linguagem o vetor fundamental que transforma a afeição primária num
valor estruturado e filosoficamente fundamentado. Daí, a Construção Hermenêutica
do Valor, para além do Dogmatismo e do Relativismo.
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