Segundo uma reluzente ideia de Boaventura, a extrema-direita não caiu do céu: é apenas o lógico e conveniente 'plano B' de um capitalismo que perdeu a paciência com a democracia. Afinal, o capital quer o que é seu por direito divino, ou seja, liberdade absoluta para agiotar, lucrar e pilhar sem que ninguém lhe chame a atenção.
O estorvo é que a democracia, melhor ou pior, insiste no
péssimo hábito de meter o nariz onde não é chamada: quer proteger
trabalhadores, taxar fortunas e, horror dos horrores, dar ouvidos à plebe sobre
a distribuição da riqueza. Daí, a solução iluminada dos mercados. Manter o
circo eleitoral a funcionar a todo o vapor para o povo se entreter a meter
boletins numa urna, enquanto se desmantela metodicamente tudo o que daria real
significado à soberania popular. Afinal de contas, votar pode tudo ... desde que
não mude absolutamente nada.
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