terça-feira, novembro 03, 2026

A IMAGINAÇÃO E O SEU HORIZONTE LIVRE

Ouvi ontem FRANCISCO LOUÇÃ na Antena 1. Serviu-se da figura do polígono regular de mil lados e ângulos para nos conduzir à construção da imaginação na interpretação da realidade e das suas vivências. Reconhece que as narrativas atravessam a religião, a arte e toda a obra literária, manifestando uma tensão permanente entre aquilo que existe e aquilo que projetamos sobre o mundo. Por isso, vamos deixando de exigir que a imaginação seja fiel à realidade e começamos a indagar se ela nos poderá revelar alguma coisa que um olhar superficial não consegue mostrar.

É precisamente nesta abertura que encontro o valor da imaginação: caminha no horizonte livremente - caminha, sim, sem procurar atingir um fim. Não se limita a reproduzir o que existe, nem se obriga a encontrar respostas definitivas. Permite-nos explorar o que ainda não conhecemos, interrogar o que julgamos conhecer e descobrir outras possibilidades de compreender o mundo e a nossa própria existência.

Diria até que a expressão contém uma ideia muito próxima da liberdade de pensar que tantas vezes procuro defender: pensar não é necessariamente chegar a algum lugar; é também não deixar de abrir horizontes. E talvez seja essa a sua maior riqueza: a imaginação não nos retira da realidade; ajuda-nos a descobrir que a realidade não se esgota naquilo que os nossos olhos conseguem alcançar. 

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