A afirmativa do primeiro, do Poder, concentra-se no cerne da
lei, ou mais nitidamente, no modal campo da governança. Os outros, os ditos
pilares, por sua vez, permanecem, como se sabe, mais ou menos silenciosos no
operante cenário aditivo e em constante evolução. O primeiro catequiza a
doutrina e controla a autoridade. Espreita a todo o momento o infrator, castiga
o abuso e achaca sempre em voz alta o acusável indiscreto. Os outros sempre
subordinativos, seja por cálculo ou ingenuidade, operam nas franjas dos
consequentes corpos sociais. Mesmo estando no topo, apesar do seu comando, demonstram
incapacidade de se desobrigar da sua responsabilidade. A ideologia, quanto a
isto, mais que do que ideias e valores fixa-se nas práticas úteis e reguladoras
da diferença e da subordinação. A palavra, por sua vez, procura nesta onda nem
sempre alcançável, a sua inverdade aventando ameaças, fantasiando
constrangimentos e alucinando vergonhas. A arena da civilidade, então, e em tal
caso, derrama o seu sangue para fora dos seus próprios limites, confundindo
sentidos, gerando anomias e reprimindo a convivência responsável. O chamado “mundo
comum”, o pronunciado mundo humano, assim se vai perdendo neste emaranhado
excessivo do ferramental técnico e competitivo da cultura contemporânea, onde o
conflito se torna cada vez mais presente, vulgarizado e, pior, celebrado em sua
reputação distorcida. É dentro dessa teia de ilusões, armadilhas e preconceitos
que busco vislumbrar a verdadeira bondade das bandeiras que me cercam, aquelas
que alardeiam, sedutoras, as ambições de liberdade e democracia.
domingo, dezembro 29, 2024
AFIRMA-SE O PODER, MASCARAM-SE OS PILARES
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