domingo, dezembro 29, 2024

AFIRMA-SE O PODER, MASCARAM-SE OS PILARES

A afirmativa do primeiro, do Poder, concentra-se no cerne da lei, ou mais nitidamente, no modal campo da governança. Os outros, os ditos pilares, por sua vez, permanecem, como se sabe, mais ou menos silenciosos no operante cenário aditivo e em constante evolução. O primeiro catequiza a doutrina e controla a autoridade. Espreita a todo o momento o infrator, castiga o abuso e achaca sempre em voz alta o acusável indiscreto. Os outros sempre subordinativos, seja por cálculo ou ingenuidade, operam nas franjas dos consequentes corpos sociais. Mesmo estando no topo, apesar do seu comando, demonstram incapacidade de se desobrigar da sua responsabilidade. A ideologia, quanto a isto, mais que do que ideias e valores fixa-se nas práticas úteis e reguladoras da diferença e da subordinação. A palavra, por sua vez, procura nesta onda nem sempre alcançável, a sua inverdade aventando ameaças, fantasiando constrangimentos e alucinando vergonhas. A arena da civilidade, então, e em tal caso, derrama o seu sangue para fora dos seus próprios limites, confundindo sentidos, gerando anomias e reprimindo a convivência responsável. O chamado “mundo comum”, o pronunciado mundo humano, assim se vai perdendo neste emaranhado excessivo do ferramental técnico e competitivo da cultura contemporânea, onde o conflito se torna cada vez mais presente, vulgarizado e, pior, celebrado em sua reputação distorcida. É dentro dessa teia de ilusões, armadilhas e preconceitos que busco vislumbrar a verdadeira bondade das bandeiras que me cercam, aquelas que alardeiam, sedutoras, as ambições de liberdade e democracia. 


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