Pensar pode ser uma fonte de liberdade, mas também uma causa
de sofrimento. Muitas vezes, somos atravessados por pensamentos cuja origem
desconhecemos. Vêm do mundo? Do nosso íntimo mais profundo? De uma dimensão
superior de nós mesmos? Talvez o essencial não esteja em descobrir a sua
origem, mas em aprender a discernir a diferença entre aqueles que nos iluminam
e aqueles que apenas alimentam a inquietação.
Vivemos num tempo de permanente aceleração. Procuramos no
exterior aquilo que sentimos faltar no interior. Corremos atrás de objetivos,
conquistas, reconhecimento e distrações, como se a acumulação de experiências
pudesse preencher um vazio que transportamos connosco. Contudo, quanto mais
procuramos fora, mais o vazio parece reclamar a sua presença.
O silêncio interior assusta-nos. Por isso, tentamos ocupá-lo
com ruído, movimento e novas metas. Muitas vezes, passamos a vida inteira a
definir objetivos não por verdadeira vocação, mas por desespero: o desespero de
não sentir a falta, de não enfrentar a ausência, de não escutar o que o
silêncio tem para nos dizer.
Talvez exista outro caminho. Em vez de criar objetivos a
partir da carência, poderemos criá-los a partir da inspiração. Em vez de correr
para fugir do vazio, aprender a habitá-lo. É frequentemente nesse espaço de
aparente ausência que nascem os sonhos mais autênticos, os propósitos mais
verdadeiros e as formas de vida que melhor correspondem ao que realmente somos.
Sinto uma ideia particularmente fecunda ao reconhecer-se que nem todos os objetivos nascem da mesma fonte. Alguns surgem da falta, da ansiedade e da necessidade de satisfazer um vazio; outros emergem de uma inspiração serena ou de uma escuta mais profunda de nós mesmos. Esta distinção, simples na aparência, pode tornar-se um critério decisivo do discernimento existencial.
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