segunda-feira, junho 15, 2026

ESSE MEDO DIFUSO

O medo, pelos receios que suscita, continua a ser uma das forças mais poderosas da vida social. Alastra-se mais rapidamente do que a ponderação e acomoda-se mais facilmente do que a confiança. Quando o futuro se apresente incerto, avoluma a tentação de procurar respostas simples para problemas complexos e de confiar o próprio destino a quem proclama possuir soluções absolutas.

O medo continua a ser uma das forças mais poderosas da vida social. Como observava Adelino Maltez, a aspiração ao poder nem sempre nasce da força; muitas vezes alimenta-se da fraqueza, da insegurança e da necessidade de proteção. É nesse terreno que florescem discursos autoritários, capazes de transformar a ansiedade coletiva em obediência e a inquietação em culto da autoridade.

O tempo que vivemos não está imune a esse risco. A amplificação do medo, seja ele económico, social, cultural ou geopolítico, pode conduzir à intolerância e esta à procura de culpados. Por isso, talvez a coragem contemporânea não seja sobretudo a exibição de força, mas a capacidade de pensar, dialogar e resistir à sedução das certezas fáceis. Nada se espalha mais depressa do que o medo; todavia nada é mais necessário do que a lucidez para o enfrentar.

Os mecanismos do medo, da submissão e da procura de autoridade permanecem presentes nas democracias contemporâneas, embora sob formas diferentes e por vezes mais subtis. Chega-nos hoje uma multiplicidade de medos difusos, frequentemente direcionados à pressa, antes mesmo de serem compreendidos. Daí a necessidade de uma lucidez que não se deixe governar pelo pânico nem seduzir pela autoridade. 

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