A redução da política à "esperteza Ventura" não se apresenta como uma corrupção explícita, mas afirma-se antes como uma contração do próprio espaço político. Já não se dedica a alicerçar o comum, mas a vencer por adaptação e remodelação estratégica do discurso.
A verdade torna-se desprezível, a justiça inoportuna e a
palavra pública um mero recurso de estímulo emocional. Neste regime, o
algoritmo não orienta nem governa: amplifica a gramática da raiva, do
ressentimento e do mau humor social.
O político deixa de se inscrever na vida concreta para se
colocar no campo da façanha, da exibição e do domínio pela força simbólica. A
democracia não cai nem colapsa de repente: enfraquece-se, acomoda-se e
adapta-se, até desaparecer. Por isso, aventuremo-nos no SEGURO.
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