A educação caminha, e demasiado, para a conformidade, não para a autonomia. Ensinam-se regras, aferem-se desempenhos e estimula-se a concorrência, mas raramente se estimula a atitude de pensar. O saber fragmenta-se em disciplinas separadas e dilui-se em mediações superficiais. A inquietação, o propósito e o reconhecimento dos próprios limites tornam-se desacreditados.
Assim, a pessoa aprende a existir de forma controlada,
segundo os preceitos vigentes. Adota estereótipos, mas não exercita a
liberdade. Assimila identificações, aprende a ganhar, mas pouco aprende a
compreender. Daí que a educação crítica deslize, não por falta de informação,
mas por falta de atenção ao movimento interno, à contradição e à experiência do
encontro com a diferença.
A liberdade não se ensina com regras. Aprende-se abrindo-se
ao novo, ao incerto e à possibilidade da aprendizagem contínua. Aprende-se com
a capacidade de permitir a mudança, desapegar-se de certezas absolutas e fluir
com as circunstâncias da vida. Aprende-se também com a coragem de não se fixar
e com a disposição de escutar sem medo, valorizando o outro na vida em comum,
sem dependência nem imposição. A liberdade, a nossa liberdade, torna-se, assim,
também, um exigente e difícil problema.
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