Há escritos que não orientam nem testemunham; apenas abrem espaço. São gestos sensoriais onde o pensamento se torna silêncio atento.
A “supraconsciência” não se impõe como verdade, mas como
possibilidade de sentir. “Reviver a morte” não é antecipá-la, mas deslocá-la: da
exterioridade do fim para a interioridade da vida.
A morte não se dá como experiência; permanece velada. É
nesse véu que a palavra ganha força - e quase se deixa acreditar. Toda a imagem
tende a consolidar-se como verdade. É aí que a crítica deve intervir: não para
negar, mas para embaraçar o refúgio.
Entre o sentir e o crer, importa manter a distância. Não há
verdade sobre a morte, apenas modos de a habitar. Não já como interrupção, mas
como deslocação: uma densidade que intensifica a vida. Reviver a morte não é
vencê-la nem a negar. É deixá-la permanecer como interrogação.
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