Há pessoas que passam pela vida de um modo simples e
despretensioso, mas deixam em nós uma marca profunda. O meu amigo DELFIM foi
uma dessas presenças raras.
Aos 70 anos, partiu - ele que tão bem soube viver com leveza
e dignidade. Foi um homem alegre, de sorriso fácil, mas também um companheiro
culto, atento ao mundo e às suas feridas. Nunca se acomodou à injustiça, à
hipocrisia ou à desigualdade. Combateu-as sempre com convicção, sem nunca
perder a delicadeza no trato com os outros.
Havia nele uma forma de resistência que não precisava de
agressividade: a clareza, a coerência e o respeito impunham a sua integridade e
davam ainda mais valor à sua simpatia. A sua humanidade, simples e verdadeira,
era reconhecida por todos. Era admirado porque nunca deixou de ser íntegro. E
era estimado porque, acima de tudo, sabia estar com os outros com uma presença
simples, humana e verdadeira.
Guardo em mim - e certamente tantos outros - o DELFIM como
um exemplo silencioso de como se pode ser justo sem deixar de ser amável, firme
sem deixar de ser delicado. Não o esquecerei, pois há amizades que se
transformam em memória viva, em exemplo e, sobretudo, numa presença interior
duradoura.
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