sábado, junho 06, 2026

A LEVEZA DO ESSENCIAL

A verdade raramente se enaltece. Não costuma mostrar-se sublime, nem tão-pouco circular pelos labirintos da erudição de fachada. Muitas vezes, passa recatada pelas franjas do caminho, como uma brisa leve que afeta com subtileza ou uma simples luz suave que ilumina sem ofuscar.

No desejo ardente de entender a realidade, arrecadamos palavras, ideias e satisfações. Contudo, há momentos em que a verdade parece afastar-se quando a procuramos agarrar em excesso. Ela prefere a transparência ao ruído, a escuta ao discurso, a atenção ao espetáculo.

A simplicidade não é pobreza de pensamento. Mostra-se uma bela e exigente arte de remover o supérfluo para que o essencial se afigure. É olhar uma árvore sem a necessidade de a ver através de uma meticulosa tese. É escutar o silêncio sem a urgência de o completar. É permanecer diante da vida com um espírito disponível para acolher o que ela exibe.

Talvez a verdade não seja uma conquista definitiva, mas um encontro momentâneo que acontece quando o olhar se torna mais leve e a alma mais atenta. Por isso, se procuras a verdade, não abandones a simplicidade. Muitas vezes, é nela que o mistério das coisas se deixa distinguir, não como uma resposta final, mas como uma atitude que nos convida a seguir o seu simples e puro caminho.

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