Fui hoje ao meu amigo fazer a barba semanal. Mais do que o simples afeitar da barba, o bate-papo inclinou-se para o que nos pareceu essencial. O tema surgiu logo na primeira ideia estimulante, talvez até provocadora. O cenário e o seu fundo afastaram-se rapidamente da conversa informal de circunstância.
Onde estão os verdadeiros atores do poder? — tornou-se essa,
para nós, a pergunta central do problema. Quase de imediato, o dinheiro ergueu
a cabeça no meio das nossas habituais objeções e inquietações. Ideia após
ideia, fomos interrogando: quem controla a informação de milhões de pessoas? quem
influencia a opinião pública e os jogos de poder? quem lidera as tecnologias
decisivas do nosso tempo? quem estrutura a economia global? quem decide
investimentos que afetam populações inteiras? quem atua à escala global para
além das limitações dos Estados?
Fomos percebendo que, em muitos domínios, estes poderes
privados parecem preencher espaços deixados disponíveis pelo próprio Estado. De
forma discreta e quase silenciosa, aproximam-se dos centros de decisão,
influenciam capacidades e, por vezes, até objetivos coletivos, operando sob as
regras da livre concorrência e das leis do mercado.
E a pergunta ficou suspensa entre nós; estarão estes novos
poderes privados a substituir os Estados porque são mais eficazes, ou porque os
próprios Estados foram renunciando a certas funções? Se assim for, que
democracia teremos pela frente?
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