quarta-feira, setembro 09, 2026

VOU-ME DISTRAINDO ATRAVÉS DA ESCRITA

Escrever tem vindo a ser, para mim, um ato natural e ligeiro. Não escrevo para fazer valer o meu conhecimento, nem faço da escrita um exercício intelectual. Escrevo porque há em mim um aperto, uma necessidade de me expor através das palavras.

Isso não significa, porém, que escreva à margem do caminho do meu pensamento. Tudo aquilo que fui lendo, pensando e questionando permanece, de algum modo, presente naquilo que escrevo. Não como encenação de uma aprendizagem acumulada, mas como uma voz de um fundo silencioso que acompanha o meu pensamento e lhe dá consistência.

Talvez seja essa a relação que procuro manter com a escrita: deixá-la despontar naturalmente, sem deixar de respeitar o rumo intelectual que me trouxe até ela. Não fazer da escrita um ato de sapiência, mas permitir que a lucidez, a experiência e a vida encontrem nela uma forma sincera de expressão.

Embora tarde, chegou-me a tempo.

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