Escrever tem vindo a ser, para mim, um ato natural e ligeiro. Não escrevo para fazer valer o meu conhecimento, nem faço da escrita um exercício intelectual. Escrevo porque há em mim um aperto, uma necessidade de me expor através das palavras.
Isso não significa, porém, que escreva à margem do caminho
do meu pensamento. Tudo aquilo que fui lendo, pensando e questionando
permanece, de algum modo, presente naquilo que escrevo. Não como encenação de
uma aprendizagem acumulada, mas como uma voz de um fundo silencioso que
acompanha o meu pensamento e lhe dá consistência.
Talvez seja essa a relação que procuro manter com a escrita:
deixá-la despontar naturalmente, sem deixar de respeitar o rumo intelectual que
me trouxe até ela. Não fazer da escrita um ato de sapiência, mas permitir que a
lucidez, a experiência e a vida encontrem nela uma forma sincera de expressão.
Embora tarde, chegou-me a tempo.
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