Por vezes, interrompo leituras para anotar e delas retirar interpretações.
Nem sempre encontro na normalidade social aquilo que considero humanamente
saudável ou verdadeiramente natural. Com o tempo e com a vida, fui aprendendo a
olhar com desconfiança para alguns dos seus critérios, tantas vezes aceites sem
reflexão, mas que considero doentios e nefastos para o nosso equilíbrio vital,
mental e espiritual.
Por isso, vou procurando resistir-lhes. Não por acreditar
que posso inverter o rumo do mundo ou construir, por mim próprio, uma sociedade
mais saudável, mas porque não quero deixar de pensar, de sentir e de escolher
aquilo que, para mim, faz sentido humano.
Esta resistência, discreta e necessariamente limitada,
tem-me proporcionado uma maior tranquilidade social. Sinto-me mais sereno
perante o que não posso mudar e mais livre para não aceitar como saudável tudo
aquilo que a sociedade apresenta como normal.
E, permitam-me dizê-lo, sinto-me também mais saudável e sensível. Talvez porque, ao resistir a certas normalidades, consigo preservar um pouco mais aquilo que não posso deixar de considerar essencial na vida: a capacidade de pensar por mim próprio, de me manter atento aos outros e de não perder a sensibilidade humana.
Sem comentários:
Enviar um comentário