segunda-feira, outubro 19, 2026

A PAZ APARENTE DA NORMALIDADE

Por vezes, interrompo leituras para anotar e delas retirar interpretações. Nem sempre encontro na normalidade social aquilo que considero humanamente saudável ou verdadeiramente natural. Com o tempo e com a vida, fui aprendendo a olhar com desconfiança para alguns dos seus critérios, tantas vezes aceites sem reflexão, mas que considero doentios e nefastos para o nosso equilíbrio vital, mental e espiritual.

Por isso, vou procurando resistir-lhes. Não por acreditar que posso inverter o rumo do mundo ou construir, por mim próprio, uma sociedade mais saudável, mas porque não quero deixar de pensar, de sentir e de escolher aquilo que, para mim, faz sentido humano.

Esta resistência, discreta e necessariamente limitada, tem-me proporcionado uma maior tranquilidade social. Sinto-me mais sereno perante o que não posso mudar e mais livre para não aceitar como saudável tudo aquilo que a sociedade apresenta como normal.

E, permitam-me dizê-lo, sinto-me também mais saudável e sensível. Talvez porque, ao resistir a certas normalidades, consigo preservar um pouco mais aquilo que não posso deixar de considerar essencial na vida: a capacidade de pensar por mim próprio, de me manter atento aos outros e de não perder a sensibilidade humana. 

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