sábado, novembro 29, 2025

O BLÁ-BLÁ-BLÁ DO SENHOR VENTURA

O senhor, esse jocoso cavalheiro, não entra no Café: invade-o. Empinado, fragoroso, saúda as gentes em voz alta e, sem demora, instala-se no imaginário palco onde só ele se reconhece ator principal. Exibe ironias arrogantes — sempre sobre este e aquele, sobre rotinas gastas e calamidades que apenas os outros lavram, pois ninguém, exceto ele, parece gozar da sanidade que julga possuir por natureza.

Ventura de nome, ator público de aparências, artificioso irritado e enfurecido, desfruta das suas momices emotivas, dos bodes expiatórios que fantasia e dos muitos remédios que ele próprio disfarça. Muito conhecido pelas rixas futebolísticas, sempre apostou nas algazarras para garantir plateia. E, para sua surpresa nenhuma, costuma consegui-la.

No fundo, o seu blá-blá-blá é sempre o mesmo: caótico, ruidoso, seguro de si ao ponto de não dar por um centímetro de ridículo quando interpela alguém. O senhor Ventura, com as suas arengas panfletárias, é apenas a versão ampliada daquela pequena tirania doméstica que todos já viram em miniatura. A diferença é que, no café, ainda provoca risos — mas no espaço público, convenhamos, a piada esvai-se depressa.

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