segunda-feira, janeiro 26, 2026

A TRIBO, O TRIBUNAL E A PERDA DO COMUM

O tempo político vem-se consumindo na agitação entre tribos e moralismos. De um lado, uma oratória identitária que faz do medo, do ressentimento e da exclusão um sentimento de pertença. Do outro, um discurso de reparo que, em nome de valores comuns, cede do confronto político e se resguarda na acusação dos princípios. Entre estes dois opostos, o espaço do comum vai-se debilitando, cedendo lugar ao controlo simbólico da culpa, enquanto a divergência é arrastada para o campo das fraquezas éticas. O problema não reside na pluralidade de valores em si mesma, mas na inépcia de os tornar politicamente claros e discutíveis. É aí que o confronto se agita e é aí, também, que se proporciona o corte e a exclusão indispensáveis. O “comum” medra onde o capital e o trabalho se reconhecem como divergência conjunta, não como identidades rivais. Será possível? Uma coisa é clara, voto no possível, voto na DEMOCRACIA.

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