Ao longo da vida sempre fomos aprendendo muita coisa. Aprendemos a responder ao mundo, pese embora não nos tenham ensinado a meditar o pensamento, a viver a pergunta e a cultivar a inquietação sem apressar a impulsividade da conclusão.
Não sou filósofo, mas sempre tive a filosofia, essa singular
filosofia como forma de vida. A exibição de argumentos nunca me seduziu, pese
embora tenha valorizado a minha atenção. Para me interrogar e para compreender
como as minhas certezas se foram moldando. Para distinguir o que decido do que,
por conveniência, apenas repito, reproduzindo.
O que acabo de dizer não é uma opinião óbvia, nem tão pouco
um conflito retórico. Não procuro superar argumentos, mas, sim, compreender o
modo como penso. Pensar é algo que me responsabiliza, compromete e me pode modificar.
E talvez seja isso que importa, em suma, abrir pequenas fendas naquilo que
tomávamos por evidente.
Vive-se um tempo que nos chama permanentemente à reação, à
posição imediata, à identidade afirmada. Por isso, o automatismo me aborrece. A
filosofia, como forma de vida, não me promete alternativas, todavia, convoca-me
a um exercício contínuo de atenção. Ao que pensamos, ao que dizemos e a uma atenção
criteriosa ao modo como habitamos o mundo.
A liberdade não é um ponto de partida garantido, mas um criterioso
trabalho paciente. A responsabilidade não é um peso exterior, mas uma formação
interior. A maturidade não é conclusão, mas condição de aperfeiçoamento. Neste
contexto, não se procura ensinar filosofia, mas sim propor praticá-la. Quiçá, favorecendo
criar um espaço onde o pensamento deixe de ser um confuso ruído e se torne, se
possível, uma salutar e viva presença.
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