Aturar o futebol escutando a palavra analítica e crítica,
marcada pelo clubismo, é entrar - quase sem dar por isso - num idiota relvado
de emoções intensas onde, paradoxalmente, a bola se oculta.
A indignação gira sobre si mesma, num rodopio contínuo,
mergulhando numa atenção subterrânea que pouco ilumina. Os estímulos,
impulsivos e azedados, propagam-se rapidamente, encontrando sempre uma
justificação para a sua própria amargura.
Os impactos emocionais, invariavelmente apressados, recusam
pensar - e, mais ainda, considerar. O conflito atrai mais audiência do que o
juízo ponderado: insinua contradições, alimenta disputas apaixonadas e,
sobretudo, produz visibilidade mediática, sempre bem acolhida.
A arena do debate mascara-se, assim, numa esfera emocional
altamente excitada, onde se fabrica um ambiente psicológico coletivo saturado
de nervosismo refinado, intensidade e reatividade. É nesse terreno que
prosperam emoções indomáveis, geradoras de ambientes vivos, inquietos e, por
vezes, de atritos tidos como necessários.
Trata-se, no fundo, de uma verdadeira disputa desportiva das emoções. Ou talvez - de forma mais rigorosa - de uma autêntica economia política das emoções, onde estas são produzidas, geridas e instrumentalizadas pelas dinâmicas de poder que atravessam o universo clubista.
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