segunda-feira, setembro 21, 2026

EXAUSTO DE PALAVRAS FALSAS E REPETITIVAS

Sentei-me e absorvi as palavras tristes do árido jornal televisivo. Mais uma vez me apercebo de que a dignidade da pessoa humana não pode ser apenas um princípio inscrito nas leis ou nos discursos políticos. Ela exige que a todos seja reconhecido o direito a uma vida com valor, com um humano sentido existencial.

É neste sentido que devemos apreender o mínimo existencial, ou seja, o acesso aos bens e direitos fundamentais de que ninguém deveria ser privado, como a saúde, a educação, a alimentação e as condições essenciais de existência. Importa compreender que, quando alguém não dispõe do necessário para viver com dignidade, não estamos apenas perante um desafio individual. Bate-nos à porta, sim, uma matéria que diz respeito à sociedade e à responsabilidade de quem governa.

Reconhecer a dignidade como valor fundamental significa, assim sendo, não aceitar que alguém seja abandonado à carência, ao rebaixamento ou a outras condições humilhantes de vida.

A democracia não se esgota na liberdade de escolher e de participar. Para que a liberdade ganhe sentido, precisa de encontrar recursos tangíveis que permitam exercê-la. Uma democracia digna não deve ficar pela garantia dos direitos; deve gerar as condições para que ninguém seja privado do essencial enquanto semelhante, digo, sujeito de direitos.

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