Perguntaram-me porquê o “Grito e Argumento”. Respondi,
procurando encontrar o seu porquê justificativo. Veio-me à mente de que gritar
não é mais do que uma reação instintiva e natural do ser humano. O mérito da
indignação não dispensa a voz quando o silêncio se mostra intolerável.
Daí a convivência com o argumento, com a sua lógica e a sua
retórica, caminhando ambos com um mesmo fim: dar sentido ao que nos inquieta. O
grito desperta, enquanto o argumento transfigura a inquietação em pensamento.
Um manifesta a indignação; o outro procura compreendê-la, desenvolvê-la e
submetê-la à responsabilidade da palavra.
Gritar e argumentar pode, assim, conduzir-nos ao valor ético
da palavra. Perante o que dizemos e, sobretudo, perante aquele a quem dizemos. Porque
gritar é humano. Argumentar requer responsabilidade. E talvez seja nessa
passagem do grito ao argumento que a palavra comece verdadeiramente a tornar-se
nossa.
O mérito da racionalidade obriga que a indignação não fique prisioneira do grito e que o argumento não se transforme numa razão fria, desatenta daquilo que nos faz reagir. Eis o meu compromisso.
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