quarta-feira, setembro 23, 2026

GRITOEARGUMENTO

Perguntaram-me porquê o “Grito e Argumento”. Respondi, procurando encontrar o seu porquê justificativo. Veio-me à mente de que gritar não é mais do que uma reação instintiva e natural do ser humano. O mérito da indignação não dispensa a voz quando o silêncio se mostra intolerável.

Daí a convivência com o argumento, com a sua lógica e a sua retórica, caminhando ambos com um mesmo fim: dar sentido ao que nos inquieta. O grito desperta, enquanto o argumento transfigura a inquietação em pensamento. Um manifesta a indignação; o outro procura compreendê-la, desenvolvê-la e submetê-la à responsabilidade da palavra.

Gritar e argumentar pode, assim, conduzir-nos ao valor ético da palavra. Perante o que dizemos e, sobretudo, perante aquele a quem dizemos. Porque gritar é humano. Argumentar requer responsabilidade. E talvez seja nessa passagem do grito ao argumento que a palavra comece verdadeiramente a tornar-se nossa.

O mérito da racionalidade obriga que a indignação não fique prisioneira do grito e que o argumento não se transforme numa razão fria, desatenta daquilo que nos faz reagir. Eis o meu compromisso. 

Sem comentários:

Enviar um comentário