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sábado, maio 20, 2017

MAIO 13, UM CONCENTRADO DE EMOÇÕES

 

No 13 de maio último, numa intrigante fúria (ou fuga) histórica, enrugada por súbita vinculação a um sublime fado lusitano, admitia-se que os portugueses se haveriam, afinal, de reencontrar com as suas raízes simbólicas e mitológicas, mediante as quais a faceta exaltante da jactância, finalmente, reprimiria a aferrada queda na persistente e deprimente saudade acamada, um tanto ontológica, da sua arcaica essência criadora de impérios entretanto abortada.

De manhã, todos, mesmo todos (cristãos, ateus e apáticos), confluiriam, mental e fisicamente, para esse beatificado lugar predestinado, onde os pastorinhos, não deixando de o ser, se converteriam em santos. De tarde, todos, mesmo todos, se regozijariam com os seus lábaros ou bandeiras, na circunstância professantes ou tinhosos, estes caçoando com o burlesco da treta, os outros comemorando  em gáudio e em trânsito o tetra, todavia, ambos, todos, em divina eucaristia canibalesca com o ondeante de agitação avermelhado.

À noite, muito provavelmente, e pelo contrário, o acerto apresentava-se menos esperançoso. Um rapazote, com uma deselegante aparência relaxada, barba em arrogante desalinho, cabelo estranhamente encapelado, à revelia dos mais reverenciados escantilhões prescritos, ousaria botar anomia artística na ordem fabril da exorbitância festivaleira.

Tudo aconteceu, tudo parece ter resultado, e como se presume saber, a transferência tem uma força psíquica poderosa, pois os egos marcadamente neuróticos, sobretudo em cenário de massas, tendem a albergar no seu eu esse mundo inteiro, embora incomum, quando este se compadece, acima de tudo, com uma desaconchegada dispneia existencial. Assim, deixar a libido descansar e as emoções flutuar livremente, manifesta-se em um útil oportuno. Certamente, assistirá ao nosso sentimento de sobrevivência e, nunca se sabe, de consolável refúgio.

terça-feira, outubro 18, 2016

UMA ARTE SUPERIOR DE TER RAZÃO

 

Foste desbragado na linguagem, descortês ou simplesmente antipático, por isso, perdeste a razão. Se a perdeste é por que a tinhas, ou tinhas a forte probabilidade de a ter. Ficaste sem ela, a razão ou a esperança de a ter. Assim sendo, a tua razão nulificou-se subsumida pela avidez esganada da tua expressividade. Imprópria, ou tão-só inconveniente. Decerto, usaste-a desajeitadamente. Sem dúvida descuidaste a ciência das boas maneiras. No essencial, desdenhaste essa arte superior de ter razão. Afinal não a estudaste, alcançaste ou praticaste. Não entendes, mas, certamente, tornar-te-ias destro na dócil e obediente agilidade de obteres, também, razão quando não a mereces. O que tu perdes neste tempo de consensos voláteis…

quinta-feira, junho 09, 2011

NÃO SOU EU QUE O DIGO

 

Economia Moral Política

Comprei na semana passada, um pequeno livro dos ENSAIOS DA FUNDAÇÃO (Fundação Francisco Manuel dos Santos), intitulado “Economia, Moral e Política”, escrito por Vitor Bento, homem licenciado em Economia e mestrado em Filosofia que ocupou, ao longo de uma intensa carreira profissional de 38 anos, diversos cargos de reconhecida responsabilidade pública e empresarial, tendo sido nomeado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, membro do Conselho de Estado, em substituição de Dias Loureiro. Tratando-se de alguém que se situa num espaço político e ideológico diferente do meu, mais estimulou o meu interesse pela sua leitura.

Confesso que li a introdução e, de imediato, passei ao último capítulo que, de forma simples mas clara, tematiza A recente Crise Financeira Internacional. Pretendo neste breve texto dar conta dos factores por ele referidos como sendo as causas mais relevantes desta crise que começando por emergir no sector financeiro, não é possível, ainda hoje, conhecer em toda a sua extensão. Refere o autor que embora os factores financeiros apareçam como as causas mais comummente apontadas para a origem da crise, várias outras, económicas e sociais, concorrem para o desenlace.

 

segunda-feira, maio 09, 2011

O desassossego da oportunidade

 

Um artigo de opinião onde se pode ler …

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Os grupos sociais que produzem as crises mantêm em geral, e salvo casos raros de colapso sistémico, a capacidade de definir a crise de modo a perpetuar os seus interesses durante e depois dela. A crise só deixa de ser destrutiva na medida em que se transforme em oportunidade nova para as classes sociais que mais sofrem com ela. E, para isso, é necessário que os termos da crise sejam redefinidos de modo a libertar e a credibilizar a possibilidade de resistência, o que implica luta social e política.

ACRESCENTO, provavelmente arrebatado, manifestando em alto e bom som, que o movimento socializador do reconhecimento do(s) indivíduo(s) e, sobretudo, do indivíduo enquanto totalidade, pode e deve inscrever em si a necessidade, e como tal, a legitimidade humana e moral das lutas social e política. Um crime de roubo, facilmente se reprova porque o direito à propriedade, sagrado que é, foi amputado. E os crimes contra a dignidade e a integridade das pessoas? E onde estão eles, esses criminosos, muitos dos quais se passeiam pelos ecrãs das nossas televisões? Tenho para mim que a cidadania, e o sentido de humanidade que a engrandece, através da indignação ativa e consequente, constitui um pilar essencial à criação de relações de reconhecimento eticamente amadurecidas, pressuposto insubstituível na (re)construção efetiva de uma comunidade justa e solidária feita de cidadãos livres. Para mim, com toda a sinceridade o afirmo; há muitos criminosos da fato e gravata em liberdade … para mal do BEM COMUM !