Ontem vi e ouvi Patti Smith (RTP2), a “poetisa do rock”,
apresentar uma síntese do seu espírito rebelde, da sua sensibilidade artística
e do seu pensamento espiritual. O seu estilo admirável é uma mistura de temas
como identidade, liberdade e espiritualidade, na sua busca por um sentido que
ressoe com a sua própria existência. Pessoalmente, e dando importância ao valor
da diferença e da diversidade, rejeito a intolerância das normas sociais
rígidas e, por isso, senti uma profunda simpatia e afeição por Patti. A ideia
de normalidade torna-se, para mim, imoral quando se transforma em uma forma de
opressão cultural. Diria, então, que a verdadeira liberdade está em abraçar a
diferença e desafiar as expectativas da sociedade, afastando o conceito de
normalidade, que muitas vezes serve para marginalizar uns e privilegiar poucos.
Pode-se perguntar, então, em que aspetos sustento a minha opinião e atitude? Começo por destacar o valor que dou à verdade, rejeitando as conveniências que mudam conforme a situação e, em contraste, defendendo a virtuosa emocionalidade humana. Sinto, com clareza, que a verdadeira liberdade só pode ser alcançada, às vezes, através da desobediência às normas e da rutura com as estruturas cínicas e habituais de poder. Aprecio Patti quando sua filosofia de vida reflete essa busca constante por autenticidade, liberdade e uma compreensão mais profunda da experiência humana. Além disso, vejo a sua arte como uma expressão de vida, uma busca incessante pela verdade, pela beleza e pela transcendência moral, ou seja, não pelo bem ou pelo dever, mas pela superação de si mesma.